sexta-feira, 25 de abril de 2014

Você sabe ouvir com o coração?

::Patricia Gebrim::





Com a passagem dos anos aprendi que a dor molda a nossa sensibilidade e nos ajuda a perceber um mundo mais sutil, onde cada pequeno ato se torna um diamante cheio de delicadeza.

Quando adoecemos, por exemplo, sentimos o quão importante é o carinho e a presença de um amigo que segure a nossa mão. E então olhamos para trás e nos damos conta de quantas vezes fomos pouco cuidadosos com aqueles a quem amamos, por pura falta de sensibilidade para perceber que podíamos SIM fazer diferença.

Eu queria ter sabido antes o que só estou descobrindo agora.

E queria poder saber agora todas aquelas coisas que só se tornarão claras no futuro.

Hoje li na internet um lindo texto escrito pelo psicanalista Rubem Alves. É incrível como me sinto tocada por esse escritor, não especificamente por seu dom de escrever, se bem que escreva tão divinamente que me deixa quase sem ar. Mas o que me toca fundo é ele ter tanta alma, uma alma que se derrama em meu coração sempre que leio suas palavras.

"O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: "Se eu fosse você". A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção". Rubem Alves

Rubem, você está certo, hoje em dia é coisa rara encontrar um ouvido que não esteja morto. Quantas vezes falamos com pessoas que se dizem amigas, e após quase uma hora de conversa vamos embora, com o peito sangrando, sem que a outra pessoa tenha sequer percebido aquele líquido vermelho e quente brotando da ferida aberta. Não porque tenhamos escondido nada, mas a pessoa estava tão entretida em olhar para si mesma que nem chegou a nos perceber. E não achem que por estar escrevendo isso eu me coloque do lado de fora dessa horrenda maldição.

Quantas vezes não devo ter passado reto por alguém que estava aos pedaços, sem me dar conta, sem nem mesmo ver? Me dói pensar nisso, e peço perdão a todos a quem eu tenha insensivelmente oferecido minha cegueira. Por mais que fiquemos atentos, vez ou outra somos hipnotizados por essa serpente e ficamos lá, cegos, olhando para nós mesmos, com ouvidos surdos e uma pedra sobre nosso coração.

Não quero viver assim. Repetindo a palavra "eu", como um daqueles discos antigos riscados, que subitamente se tornava um prisioneiro irritante de uma mesma parte da música, tornando feio o que poderia ter sido tão belo.

Será que estamos perdendo a sensibilidade? Virando pedra? Me recuso a escolher essa explicação. Prefiro acreditar que o que antes passava despercebido agora se torna mais e mais visível. Prefiro acreditar que estamos despertando desse estado tão triste, dessa auto-hipnose. Prefiro pensar que, ao nos darmos conta dessa distorção, podemos dar o primeiro passo no sentido de fazer escolhas diferentes. Se enxergarmos agora, se percebermos o quanto temos sido egoístas, talvez possamos economizar muitos anos, coisa preciosa nesses tempos em que os relógios correm enlouquecidos para fora de nosso controle.

Podemos mudar, agora. E de repente o milagre acontece. E é lindo. Olhamos nos olhos do outro e... Existe alguém lá! Olhamos mais de perto e percebemos o quanto aquilo que vemos é belo, e torna-se impossível desviar o olhar. Sentimos que algo bate mais forte em nosso peito. Ganhamos um coração? Sim. Um coração. E é ele quem sabe perguntar:

- Como você está ? Está feliz? Algo anda te fazendo sofrer? Existe beleza na sua vida? Posso fazer algo por você?

Fechem os olhos por um instante e sintam a beleza disso.

Podemos perguntar e, de fato, "ouvir a resposta". E levá-la para dentro de nós, para aquele lugar sagrado ao qual não me canso de referir. E mais. Podemos sentir a alegria do outro, a tristeza do outro, e a dor do outro; e descobrimos que não há diferença entre elas e a nossa própria alegria, e tristeza e dor. E ao aliviarmos um pouco a dor do outro, é o nosso peito que fica instantaneamente mais leve, porque nós e o outro somos um.

"Eu e o outro somos um". É muito especial o momento quando percebemos isso. E é assim que vamos libertando o amor. E sendo amor.

Isso talvez faça parte desse grande e lindo plano do Universo, o plano de nos tornarmos, finalmente, humanos.


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segunda-feira, 31 de março de 2014

Saiba como lidar com suas expectativas para não se frustrar

::Carlos Hilsdorf::





A vida não é feita de expectativas, é feita de escolhas!

Expectativas são esperas ansiosas e produzem um efeito danoso em nossas vidas quando excedem os padrões da realidade.

É da natureza humana gerar expectativas com relação às coisas, o problema é que nossa imaginação é muito fértil e nossos desejos excedem nossa compreensão da realidade. Nestas condições criamos expectativas com pouca ou nenhuma chance de acontecerem e caminhamos rumo à decepção e a frustração.

Achamos que os outros nos decepcionam quando, na verdade, na maioria das vezes fomos nós quem criamos expectativas irreais sobre eles e suas atitudes.
A solução para essas questões que sempre causam sofrimento e desilusões passa pelas seguintes reflexões:

1a) Precisamos compreender que nossas expectativas são formadas a partir de nossos desejos e fantasias e, não possuem, muitas vezes, nenhuma relação com a realidade.

2a) Nossas expectativas estão ligadas à nossa imaginação e por isso podem assumir proporções muito difíceis de serem atendidas.

3a) As expectativas são nossas, mas podem depender de ação de outras pessoas e acontecimentos para se concretizarem, portanto estamos esperando por algo sobre o qual não temos controle efetivo.

4a) Expectativas estão associadas à imaginação, sentimentos, emoções e experiências anteriores.

5a) Expectativas sofrem a ação da nossa ansiedade e dos outros aspectos psicológicos que compõe a nossa personalidade.

Assim, como em tudo na vida, também precisamos aprender a lidar com nossas expectativas e introduzir a razão como mediadora entre elas e a realidade.

Às vezes, você espera que alguém ligue para você e a pessoa não liga... Quanto maiores forem as expectativas de receber a ligação, maior será o sofrimento e a decepção de não a ter recebido. Não percebemos nitidamente, mas nos sentimos feridos, afinal a pessoa devia ter ligado e não ligou. Pronto. Esse ferimento emocional, que se originou em função de nossas expectativas não atendidas, será suficiente para que nossa imaginação agigante as consequências ao criar as razões pelas quais a pessoa não ligou, tais como: ela não me dá a atenção que eu mereço; ela só me procura quando convém; ela deve estar se divertindo com outras pessoas; ela está me enganando; ela não tem por mim a mesma consideração e sentimento que eu tenho por ela, etc.

Ora, todas estas razões são meras suposições da nossa imaginação ampliadas pela ansiedade e por frustrações e comparações com situações anteriores.
A pessoa pode não ter ligado por razões concretas e justificáveis as quais poderíamos facilmente compreender em uma conversa franca com ela. Julgamos baseados em suposições, e suposições são apenas probabilidades manipuladas pela nossa imaginação.

Quanto maiores forem as suas expectativas diante de qualquer situação na vida, maiores serão suas chances de se decepcionar. Quando não estamos esperando nada, achamos tudo o que acontece maravilhoso. Quando esperamos pouco, o que acontece facilmente atende ou supera as nossas expectativas, mas quando esperamos muito...

Esperar muito é depositar nas mãos de outras pessoas e acontecimentos a responsabilidade de fazer seus desejos acontecerem. É uma perigosa ilusão.

Procure dividir os aspectos de sua vida em dois grandes grupos: as coisas que você espera que aconteçam e depende determinantemente de você e as coisas que você espera que aconteça, mas dependem muito mais de outras pessoas e acontecimentos que da sua ação.

Observe que você só pode agir sobre as coisas que dependem determinantemente de você. Somente sobre elas você possui controle. As coisas que dependem de outras pessoas e acontecimentos estão fora do seu controle, você pode até influenciá-las de alguma maneira, mas não pode controlá-las.

Utilize a sabedoria para não gerar expectativas muito elevadas para as coisas que não dependem diretamente de você e de suas atitudes. Elas dependem de outras pessoas que não pensam como você pensa, não agirão como você agiria e não sentem as coisas exatamente como você sente.

Concentre-se em alterar as coisas que você pode e em buscar compreender
as que estão nas mãos dos outros.

Deixar a vida ser dirigida por nossas expectativas é como dirigir em alta velocidade de olhos vendados. Abra os olhos da razão, use o coração para amar a vida e as pessoas e a razão para conhecê-las, compreendê-las e aceitá-las.

Uma vida baseada em expectativas é irreal e muito perigosa. Faça as pazes com a realidade e aprenda a ajustar suas expectativas dentro de um padrão lúcido e flexível.

Nem a vida nem as pessoas são como nós gostaríamos que fossem, são como são. Nem mesmo nós somos como gostaríamos de ser...

Um alerta importante: Antes de tentar se tornar quem você gostaria de ser, observe se suas expectativas com relação a si mesmo não estão equivocadas, talvez você esteja melhor assim...

A vida é feita de escolhas, mas é impactada por nossas expectativas.



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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Que tal falar sobre o que sente?

:: Rosemeire Zago ::





Todos nós temos um pouco de dificuldade em lidar com nossos sentimentos. Tudo começa quando ainda somos crianças. Naquela época, raramente tínhamos alguém que nos desse apoio para que pudéssemos demonstrar sentimentos como raiva, ciúme, inveja, vergonha, nem chorar nos era permitido. Nos ensinavam, com raríssimas exceções, que nada devíamos demonstrar e, aos poucos, aprendemos a reprimir o que sentimos.

Quando não tivemos quem nos ajudasse a lamentar nossos momentos de dor, solidão, tristeza, acabamos por bloquear, esconder, até para nós mesmos, tudo aquilo que sentimos. Queremos ser fortes e conseguimos, mas só nós sabemos qual o preço que pagamos. Com o tempo, começamos a perceber que tudo aquilo que por anos ficou muito bem guardado, começa de alguma forma a pedir, para não dizer gritar, que precisa sair. É neste momento que, inconscientemente, criamos situações nas quais estes sentimentos possam ser experimentados novamente.

Quando vivemos situações de desprezo, rejeição, abandono, solidão, quando criança, e não havia quem pudesse suportá-la ao nosso lado, passamos a recriar situações e relacionamentos para podermos expressá-los aqueles mesmos sentimentos que foram reprimidos, com a fantasia inconsciente de resolver o trauma original. Nem sempre recriamos as mesmas situações, mas, sim, qualquer situação que nos faça sentir os mesmos sentimentos.

Sentimentos de rejeição, abandono e abusos vividos durante a infância são os mais difíceis de serem superados. É como se registrássemos que não somos dignos de sermos amados, nem aceitos por aquilo que somos, gerando assim muitas dificuldades nos relacionamentos pela necessidade constante de aprovação e reconhecimento. Por exemplo, uma pessoa que viveu situações de rejeição e abandono durante sua infância, pode buscar, é isso mesmo, buscar inconscientemente, situações que a façam se sentir abandonada e rejeitada.

Se teve um pai e/ou mãe que a rejeitaram, foram ausentes, distantes, poderá fazê-la recriar relacionamentos com pessoas que a façam se sentir igualmente rejeitada e abandonada. Com qual intenção? Para que possa se libertar daqueles sentimentos que tanto machucaram e continuam a machucar, mesmo depois de muitos anos.
Mas para isso é importante ter alguém com quem possa contar o que sentiu, lamentar, e receber todo apoio que não recebeu na época que aconteceu. Há pessoas que perderam pessoas significativas quando crianças e até hoje, já adultas, não choraram, nem elaboraram, e muito menos superaram essa dor.
Ser capaz de falar sobre a dor que sentimos significa que inconscientemente estamos dispostos a aceitar e superar o que nos aconteceu. O que nem sempre é fácil, pois assusta, causa medo de sentir mais dor, o que faz com que as pessoas evitem tocar nestes assuntos, o que só causa mais dor. O fato de não falar sobre o que sentimos, não nos isenta de senti-los.

Quando passamos uma vida sendo machucados e passamos por cima, ignorando como se nada tivesse acontecido, pois do contrário ficaríamos completamente sós, acabamos por permitir que outras pessoas nos machuquem mais e mais. Assim, perdemos o foco em nossa própria vida, deixando de nos ouvir para ouvir aos outros, deixamos de ser nós mesmos para sermos quem gostariam que fôssemos, e é assim que nos perdemos de nossa essência, de quem somos verdadeiramente. É preciso lembrar e ter consciência que se um dia alguém não o aceitou, o abandonou, muitas outras lhe deram valor, gostam de você e estão ao seu lado.

É preciso parar com essa busca incessante de aprovação, seja de quem for, geralmente dos genitores, e que pode se estender por toda uma vida, do contrário, de vítima poderá se tornar em algoz de si mesmo. Se a rejeição ainda está viva como se existisse no momento presente é porque, de alguma forma, você assim permite. Interrompa esse círculo vicioso de dor. Libere este sentimento para que ele se dissolva e pare de se torturar. Hoje você não precisa mais passar pelas mesmas agressões, indiferença, desprezo, vergonha, humilhação, entre tantas outras situações que já vivenciou. Hoje você pode viver na harmonia, paz, tranqüilidade, pois essa condição só depende de você.

Enquanto criança, não temos muitos recursos para nos defender, mas, hoje, adultos, podemos, e temos todo direito de sermos pessoas inteiras, felizes, sem implorar por carinho, apoio, compreensão, amor. Com certeza, você deve ter muitos momentos agradáveis registrados em sua mente. Muitas palavras e atitudes de carinho. Traga isso para o momento presente. Por que se sentir desvalorizado, diminuído, inferior, rejeitado, porque uma pessoa não o aceitou ou demonstrou aquilo que você precisava? Por que não permitir que o amor de outras pessoas, que com certeza há ao seu redor, cheguem até seu coração? Quais são as pessoas que lhe demonstram amor, carinho, atenção, que lhe tratam com respeito, dignidade e consideração? Valorize essas pessoas, deixe que o amor que sentem por você seja muito maior que a rejeição e o desprezo que recebeu um dia. Você pode reagir!

A quem você gostaria de agradecer por uma palavra, um gesto, apoio, que um dia recebeu? Você já falou para essa pessoa o quanto lhe ajudou quando precisou? Por que não fazer isso agora? Dê um telefonema, escreva um e-mail, marque um almoço, jantar, um suco, um momento para falar da diferença que fez em sua vida.
Você deixará essa pessoa feliz e você ficará mais ainda em saber que há pessoas com quem pode contar. Divida estes bons sentimentos com quem conseguiu fazê-los despertar dentro de você.

A vida não pode ser contabilizada apenas por dor, mágoas, tristezas... mesmo que um dia existiram elas podem ser substituídas por alegria, paz, harmonia. Saber valorizar o que recebemos de bom e partilhar com quem nos faz sentir vivos, alegres, pode ser um antídoto contra a dor que nos fizeram um dia sentir. Solte essa dor, chore o que não chorou, procure quem possa ouvi-lo, só assim irá conseguir se libertar daquilo, que por mais que negue, ainda dói dentro de você.


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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Cada dia é uma pequena vida...

:: Rosana Braga ::





Nos últimos 18 meses, especialmente, tenho buscado uma compreensão ainda mais profunda de mim mesma e, consequentemente, de cada alma que de mim, de alguma forma, se aproxima...

Nesta jornada, tenho descoberto e confirmado, cada vez com maior lucidez, uma verdade que pode ser ótima (ou não) dependendo da forma como lidamos com ela: cada dia é uma pequena vida!

Cada situação é uma encruzilhada. Cada passo é uma escolha que pode mudar tudo. Talvez seja exatamente por isso que é tão difícil nos mantermos fiéis aos sentimentos que mais desejamos experimentar: alegria, auto-estima, gentileza, amor...

Um passo vacilante... e tudo se modifica. O que era amor pode se transformar em ciúme, egoísmo, raiva, medo. O que era alegria pode se transformar em dúvida, desesperança, tristeza. O que era auto-estima pode se transformar em insegurança, agressividade, dor. O que era gentileza pode se transformar em intolerância, desistência, arrogância.

Uma atitude, uma escolha... e tudo pode mudar! E isso me faz lembrar da máxima Orai e vigiai. Quando a gente ora, pede o que deseja, entra em estado de humildade, receptividade, esperança... Mas um minuto depois, é preciso que entremos em vigília constante.

Somos passionais, motivados por reações. Ainda não aprendemos a ponderar. Reagimos automaticamente a partir de crenças limitantes, de preconceitos e defesas internas. Reagimos: este é o problema.

Precisamos começar a agir. Sempre agir. Cada passo precisa ser uma ação consciente, atenta, lúcida. E para que isso se torne possível, só há uma maneira: treino, prática, repetição... dia após dia até que se torne hábito.

Só podemos destruir um velho hábito que já não nos interessa se no lugar dele construirmos um novo, que revele uma nova direção, um novo caminho. Os sentimentos difíceis continuarão dentro da gente, mas em vez de reagirmos a eles, podemos decidir por uma nova ação.

Em último caso, tenho feito assim: quando ainda não sei qual a nova ação que posso ter diante de um sentimento difícil, opto pelo silêncio. Respiro fundo, entro em contato com o que estou sentindo, reconheço que estou me deixando atingir pelo que está acontecendo e simplesmente espero, em silêncio, até que consiga encontrar, dentro de mim, uma nova maneira de agir diante de velhos sentimentos.

E assim, de vida em vida, um dia de cada vez, pretendo acordar amanhã mais positiva do que fui hoje...


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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Por que é tão difícil discordar?

::Patricia Gebrim::





Ah... quanta confusão pouparíamos a nós mesmos se tivéssemos a coragem de
ser quem realmente somos. Se nos propuséssemos a arriscar mais, a seguir aquela voz interna que pede transformações, que nos diz para ir para lá ou para cá. Se não déssemos tanta importância à opinião dos outros. Se nos permitíssemos discordar dos outros sem transformar isso em um campo de batalha, sem precisar convencê-los de que estamos certos, sem nos recusarmos a ouvi-los, sem precisar atacar.
- É incrível a facilidade com a qual traímos a nós mesmos, você já percebeu isso?
Para entender melhor essa questão, pense na forma como somos criados e educados em nossa sociedade. As crianças são tratadas como se nada soubessem, como se precisassem aprender com os adultos tudo o que é importante sobre a vida. Com raríssimas exceções, é assim que acontece.
Assim fui educada, e possivelmente você também. É muito raro que um adulto olhe para uma criança reconhecendo a sua sabedoria, reconhecendo a beleza em sua capacidade para sorrir, para brincar, para amar. Reconhecendo que ela talvez saiba bastante sobre muitas coisas. Mais do que um adulto possa imaginar.
Aprendemos desde cedo que as nossas opiniões não valem lá grande coisa. Sem perceber, nos tornamos adultos, mas continuamos como crianças, duvidando de nós mesmos.
Pensamos por horas em seguir por um caminho, e justo quando estávamos para dar o primeiro passo, alguém nos diz que esse não é um bom caminho. E assim ficamos, com o passo em suspenso, o pé incomodamente pendurado no ar.
- E se eu seguir e errar? - pensamos, tomados pelo medo e pela incerteza.
- Por que entregamos o nosso poder com tanta facilidade? Você já pensou nisso?
Agora vou me permitir contar-lhe algo que aconteceu comigo há alguns anos.
Em um dia cheio de sol, eu decidi que iria a um concerto de piano. O evento aconteceria durante a tarde, e como estava bastante quente, escolhi um vestido turquesa, que tinha flores cor de rosa. Pink, para ser mais exata! O vestido era leve e brincalhão. Mais do que tudo, era alegre, e refletia a forma como eu estava me sentindo naquele dia. Saí de casa, estava me sentindo radiante. Cheguei ao local, comprei meu ingresso e entrei, toda feliz, aberta para celebrar a minha alegria em companhia do som do piano.
Mas ao entrar na sala de concerto, um lugar quieto, quase austero, percebi que o público daquele lugar era bem diferente de mim. Todas as pessoas eram bem mais velhas do que eu, e estavam vestidas de forma clássica e neutra. A medida em que eu ia caminhando pelo corredor, com meu vestido turquesa e pink, fui sentindo minha alegria se esvair na mesma proporção em que os olhares se voltavam para mim. Continuei caminhando, como se nada estivesse acontecendo, até que ouvi um comentário, um cochicho absolutamente audível, de que o meu vestido parecia uma fantasia.
Se divido isso com vocês é para que não pensem que eu sou algum ser superior, imune às dificuldades sobre as quais escrevo... confesso que naquele momento toda a alegria que eu sentia tornou-se um peso oprimindo meu peito, as flores do meu vestido murcharam e se esconderam na cadeira numerada, da qual só me levantei depois que todos os cinzas, pretos e beges tinham ido embora.
"Precisamos trazer para o mundo aquilo que cada um de nós, sendo exatamente quem é, pode manifestar. E só faremos isso se tivermos a coragem de ser quem somos, se tivermos a coragem de abrir mão da busca de segurança ou de aprovação dos outros"Aquilo me fez pensar muito sobre o poder que damos às outras pessoas. Que poder eu dei àquelas pessoas para deixar que roubassem de mim toda a alegria? Pensei nisso muitas vezes, depois daquele dia. Percebi a força dos condicionamentos pelos quais todos nós passamos, que nos ensinaram que a aprovação do grupo é fundamental para a nossa sobrevivência.

É claro que isso é uma verdade quando temos cinco anos de idade, mas aos 30... 40 anos, será que ainda precisamos acreditar nisso?
Assim abortamos as nossas melhores possibilidades. E foi assim que eu abortei aquela deliciosa alegria, naquela tarde, porque fui incapaz de sustentá-la, porque fui incapaz de ficar a meu lado, não importa o que pensassem as pessoas ao meu redor. Eu traí o meu vestido e a mim mesma! Até hoje peço desculpas a mim por isso, e por tantas outras vezes em que algo assim aconteceu.
Hoje procuro ficar atenta e acreditar-me capaz de honrar minhas escolhas e meu caminho.
O mundo está passando por profundas transformações. Não importa o quanto você esteja ou não consciente disso, todos nós, incluindo você, estamos sendo afetados por isso. O ritmo de tudo está muito acelerado e as mudanças estão acontecendo em uma velocidade incrivelmente rápida. Assim, não temos mais tempo a perder. Precisamos despertar. Precisamos trazer para o mundo aquilo que cada um de nós, sendo exatamente quem é, pode manifestar. E só faremos isso se tivermos a coragem de ser quem somos, se tivermos a coragem de abrir mão da busca de segurança ou de aprovação dos outros.
Olhe com verdade e profundidade para dentro de você, e honre o que quer que consiga enxergar.
Se você deseja mudar o rumo de sua vida profissional, faça isso, mesmo que todos ao redor olhem para você com aquela cara que as pessoas fazem quando olham para uma pessoa insana.
Se quiser mudar de cidade, mude.
Se quiser terminar um relacionamento, termine.
Se quiser voltar a estudar, estude.
Se quiser passar a vida conhecendo o mundo com uma mochila nas costas, parta já.
Se quiser dedicar a sua vida ao estudo da reprodução dos salmões, não perca tempo.
Se quiser andar por aí em um vestido turquesa e rosa pink... faça isso e me convide para caminhar a seu lado.

Honre a si mesmo acima de tudo, dê as mãos à sua verdade e ouse.
Não há vida sem ousadia


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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A Inteligência é Flexível

:: Rosana Braga ::





Quanto mais endurecido e inflexível, mais fácil de se quebrar diante de fortes impactos. Esta teoria -fisicamente constatável- não vale apenas para os objetos, mas, sobretudo e cada dia mais, para o comportamento humano.

Num mundo onde os produtos são perecíveis e os desejos são fugazes, a flexibilidade destaca-se como meio de sobrevivência. É a chave para a resiliência e também mote para o sucesso, tanto na vida pessoal quanto na profissional.

Fácil assimilar quando entendemos que não dá para crescer na rigidez. O crescimento, por si só, é maleável, moldável e adaptável às novas medidas e aos novos formatos. Sendo assim, inteligente é quem aprende a metamorfosear.

É notório que no mundo corporativo, a busca é cada vez mais enfática por profissionais capazes não de aceitar as diferenças inerentes a uma equipe ou um departamento, mas -acima de tudo- de celebrar essas diferenças.

Já não basta evitar os conflitos. É preciso enxergar neles uma oportunidade de promover mudanças necessárias, evoluir e se tornar melhor justamente por causa do que lhe é adverso.

Há alguns anos, desenvolvendo pesquisas sobre o que chamo de Inteligência Afetiva, constatei como é latente a falta de flexibilidade nos dias de hoje. Isso me levou a debruçar sobre uma questão fundamental e esquecida na atualidade: a gentileza. Não descobri nenhum segredo; a evidência já estava aí, porém, adormecida: pessoas gentis são flexíveis... e poderosas! Este trabalho resultou no livro "O Poder da Gentileza".

É incrível como ainda há quem aposte que investir nas relações humanas não é o comportamento mais eficaz para os que ambicionam altos cargos ou grandes fortunas. Estes, certamente, desconhecem o poder da gentileza.

O "Movimento pela melhoria das relações interpessoais e da qualidade de vida através da gentileza" (World Kindness Movement) -cujo representante oficial do Brasil é a Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV)- declara que pessoas gentis são mais valorizadas no mercado profissional, já que a qualidade das relações, a integração entre os funcionários e as atitudes de gentileza são fatores que influenciam nos resultados finais e no aumento da produtividade da empresa.

A gentileza e, por conseqüência, a flexibilidade e a tolerância, têm ainda influência direta sobre nossa saúde mental, emocional e física. A falta desses atributos na vida diária tem causado prejuízos incalculáveis a todos. A Organização Mundial da Saúde estima, por exemplo, que em 2020 a depressão será a segunda causa de improdutividade das pessoas, seguida apenas das doenças cardiovasculares.

Qual é a razão para tamanha insatisfação? Estou certa de que, em última instância, não se trata de aumento de salário ou posição hierárquica. Trata-se da falta de reconhecimento pelo humano que há em cada um; da falta de qualidade na troca entre as pessoas; do distanciamento, da falta de intimidade e de confiança, da falta de afeto e disponibilidade, da inflexibilidade para com as próprias frustrações. Trata-se da falta de gentileza! É disso que se trata, pode apostar!

Portanto, embora as habilidades técnicas sejam imprescindíveis para as empresas, elas sabem que podem treinar um profissional para que se torne habilitado tecnicamente, assim como sabe que para ser agradável, simpático, flexível e gentil, é preciso que haja uma decisão pessoal.

As empresas podem sim motivar e incentivar seus colaboradores para a mudança de comportamento, mas ser gentil é essencialmente uma escolha do indivíduo. Tem a ver com as crenças e os valores que ele alimenta diariamente. Ou seja, a gentileza é um exercício diário!

7 Condutas Gentis e Tolerantes no Ambiente de Trabalho:
1) Aprenda a escutar. Ouvir é muito importante para solucionar qualquer desavença ou problema.
2) Evite julgamentos e ações precipitadas. Quando estiver nervoso, deixe para conversar mais tarde.
3) Peça desculpas. Isso pode evitar conflitos maiores e salvar relacionamentos.
4) Valorize o que a situação e o outro têm de bom. Perceba que este hábito pode promover verdadeiros milagres.
5) Seja solidário e companheiro. Demonstre interesse pelo outro, por seus sentimentos e por sua realidade de vida.
6) Analise a situação. Alcançar soluções pacíficas pode depender da compreensão da raiz do problema.
7) Faça justiça. Esforce-se para compreender o outro e não para ganhar, como se eventuais discussões fossem jogos ou guerras.



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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Feliz Ano Novo!!!

Olá meus queridos!!

Sinto que estou em falta com vocês!

O ano de 2013 trouxe muitas realizações e com elas muitas responsabilidades... e isso me impediu de postar com a frequência que estava acostumada.

Muitos estão me enviando emails e pedindo textos. Fiquem tranquilos! Prometo a todos vocês queridos leitores, amigos, que o ano de 2014 estará recheado de lindos textos.

Beijos!!





De repente, num instante fugaz, os fogos de artifício anunciam que o ano novo está presente e o ano velho ficou para trás.

Não importa a nação, não importa a língua, não importa a cor, não importa a origem, porque todos são humanos e descendentes de um só Pai, os homens lembram-se apenas de um só verbo: amar.

Sem mágoa, sem rancor, sem ódio, os homens cantam uma só canção, um só hino, o hino da liberdade. E esquecem o passado, lembram-se do futuro venturoso, de como é bom viver.

Tudo se transforma e chega o ano radiante de esperança, porque só o homem pode alterar os rumos da vida.

O objetivo de um ano novo não é que nós deveríamos ter um ano novo. É que nós deveríamos ter uma alma nova.

A cada dia de nossa vida aprendemos com nossos erros ou nossas vitórias, o importante é saber que todos os dias vivemos algo novo. Que no novo ano que se inicia, possamos viver intensamente cada momento com muita paz e esperança, pois a vida é uma dádiva e cada instante é uma benção de Deus.

Que a alegria deste início de ano esteja sempre presente em nossas vidas.

Que as realizações alcançadas este ano sejam apenas sementes plantadas, que serão colhidas com maior sucesso no ano vindouro.

Feliz 2014!!!



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terça-feira, 29 de outubro de 2013

A relação entre corpo e psique

::Rosemeire Zago::





"Não é um corpo, não é uma alma, é um homem" Montaigne

Você já teve uma dor de garganta ou ficou rouco logo depois de uma situação a qual você foi insultado, humilhado e nada conseguiu responder? Quantas vezes queremos responder a uma crítica, um comentário, um insulto, mas nos calamos para evitar maiores conseqüências ou por não conseguirmos responder? Ou ainda, você já teve dor de estômago, gastrite, úlcera, e ouviu dizer que era por tantos sapos que havia engolido? O "sapo", no caso, foram os desaforos ouvidos e engolidos. Quantas vezes você quis vomitar uma situação? Analise você mesmo como suas emoções causam mudanças imediatas em seu físico. Lembre-se da vez em que ficou tão nervoso que teve uma diarréia. Ou ainda, quando ficou muito tenso e sentiu dor de cabeça. E quando ficou com uma alergia horrível durante anos e ninguém descobria a causa? Com um pouco de autoconhecimento podemos perceber que nosso corpo reflete nossas emoções, principalmente aquelas que reprimimos.

Existe uma área da medicina, a Psicossomática, a qual estuda as relações mente-corpo, a influência dos fatores psíquicos nos distúrbios físicos, e que profissionais da área da medicina e psicologia recorrem para entender a origem de determinadas doenças, as quais não estão incluídas as hereditárias, genéticas e as causadas por fatores do meio ambiente, porém, os danos podem ser aumentados em decorrência da tensão psíquica, onde o estado emocional freqüentemente pode determinar o curso da doença. Mas ainda há, infelizmente, muitos profissionais da área da saúde, que buscam entender apenas a doença e não a pessoa como um todo, desprezando completamente o ser humano em sua totalidade, recorrendo a paliativos que distanciam ainda mais o encontro da causa e dificultando ainda mais a remissão da doença. Muitas vezes, a própria pessoa prefere um medicamento em substituição a uma psicoterapia ou outro recurso que a ajude a trabalhar sua psique. A medicação é considerada por muitos como a melhor solução, talvez a mais fácil, e a maioria das pessoas quer soluções rápidas e mágicas. É evidente que em muitos casos a medicação se torna imprescindível, mas é preciso entender que nem sempre elimina a causa, sendo apenas um paliativo que alivia os sintomas. É importante observar se, por trás do mal físico que o aflige, há questões psicológicas sobre as quais se pode interferir.

Mas o que faz realmente com que adoeçamos? Reprimir sentimentos é uma das causas mais significativas para a causa dos males no corpo, ou seja, as doenças surgem e se agravam por causa da dificuldade das pessoas expressarem seus sentimentos, sendo muito mais suscetíveis a manifestarem no corpo o que não estão conseguindo resolver na psique. O fator que leva ao surgimento de sintomas somáticos ou ao agravamento de doenças é a queda na imunidade, pois as emoções atingem primeiramente o sistema imunológico. É comum quando se está enfrentando um conflito, a pessoa ficar com gripe ou surgir um herpes, que surgem quando a imunidade abaixa. Ou seja, qualquer distúrbio orgânico tem ligação com estados emocionais, conscientes ou inconscientes, recentes ou não.

Quantas vezes pensamos ter resolvido um problema que nos aflige, quando na verdade, apenas o deixamos de lado, deixando guardados em nosso coração, mágoas, ressentimentos, raiva, frustrações, que ao longo dos anos vão se somando? Não é o fato de não falarmos ou pensarmos sobre algo que nos machucou que isso quer dizer que não machuca mais, pode simplesmente ter sido reprimido em nosso inconsciente, e mesmo não pensando sobre ele conscientemente, nosso inconsciente continua a atuar.

O corpo é como uma tela onde as emoções são projetadas. E as emoções negativas são projetadas em forma de doenças. Essas somatizações acontecem a curto ou longo prazo, onde cada mente e corpo reage de acordo com seu próprio tempo, e todos os sentimentos negativos que vamos reprimindo podem dar origem as doenças se guardados por muito tempo. Por isso, devemos resolver as questões que nos aflige, aborrece, evitando assim que nosso inconsciente se comunique através da linguagem do corpo, pois é fato que o fator psíquico predomina, constituindo a origem de quase todas, senão todas, as doenças adquiridas ao longo da vida.


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terça-feira, 30 de julho de 2013

Existe vida fora dos trilhos?

::Patricia Gebrim::




Sair dos trilhos exige uma certa dose de coragem, perseverança e paciência.

Eu estava pensando outro dia no quanto estamos vivendo um momento muito especial e histórico. Tenho observado um número cada vez maior de pessoas tendo a coragem de sair das caixinhas onde todos fomos colocados ao nascer. Sim, porque a gente nasce e já cai numa caixinha, que de certa forma tenta modelar o mundo e o deixar bem quadradinho ao nosso redor. A tal caixinha é feita de regras sobre como devemos agir. Em geral nos diz para estudar, ter um bom emprego, depois casar, ter filhos, comprar uma casa maior, e por aí vai.

Muita gente ainda leva a vida lá, dentro da caixinha, essa caixinha que segue por trilhos, como uma locomotiva criada há tanto tempo que até esquecemos quem a criou. E lá que vão todos, apertados como sardinha em lata na tal locomotiva, conduzidos por trilhos ancestrais, longe da liberdade de escolher o próprio caminho.

Por outro lado, cada vez mais, tenho visto gente pular da tal caixinha. Às vezes se lançam como malucos de cima da locomotiva em movimento, esses heróis dos tempos modernos que já não acreditam tanto assim na prometida felicidade, nas instituições, naquilo que nos disseram que tínhamos que fazer para sermos felizes.

Saltam em meio ao nada e, talvez com os joelhos esfolados, se veem de um momento para outro olhando a locomotiva passar. A primeira sensação é de alívio, talvez venha da alma essa sensação boa de estar vivo novamente, de sentir o ar fresco preenchendo os pulmões cansados de respirar por tanto tempo um ar pesado e cheio de regras.

Mas em seguida - isso é o que eu tenho observado - vem uma certa angústia.

- E agora? Para onde vou? Que sentido darei à minha vida?

Fora das caixinhas, as pessoas olham ao redor e encontram a vastidão de um mundo desconhecido. Como desbravadores de novas terras não existem trilhas abertas, modelos a ser seguidos. É natural que se sinta um pouco de medo. É natural que se questione a própria sanidade.

- Será que eu não deveria ter ficado lá e seguido como fazem todas as outras pessoas?

Há que se ter coragem para enfrentar a liberdade da vida fora dos trilhos. Há que se resistir à tentação de entrar em outra caixinha, pois existem caixas por toda a parte, querendo nos condicionar, mutilando a liberdade alada de nosso ser.

Se você é uma dessas pessoas, se acabou de saltar da locomotiva em movimento, não tenha pressa demais em encontrar o seu caminho. E resista à tentação de buscar, fora de você, indicações ou direcionamentos. Tudo tem que ser novo. Abra mão dos mapas. Simplesmente fique em contato consigo próprio até que consiga ouvir sua própria voz. Às vezes demora um pouco, principalmente se você ficou sem ouvi-la por muito tempo. Mas não tenha pressa. Sustente o seu movimento, não volte atrás. Confie e tente relaxar. A resposta virá, a cada instante. Você saberá criar uma nova vida para você. Com mais verdade, mais ar e mais alegria. Apenas não desista. Não volte atrás.

Com sorte, e persistência, você encontrará outros como você. E se forem mesmo como você, eles não lhe dirão o que fazer. Pelo contrário, eles incentivarão você a seguir o caminho que lhe fizer mais bem, que tornar seu coração mais leve e sua alma mais visível. Ah, como são valiosas essas pessoas que nos permitem a liberdade de ser. A presença dessas pessoas na nossa vida são como um oásis no deserto. Alimentam nossa sede e permitem que continuemos nosso caminho em direção à verdadeira felicidade.

Não desista, e faça uma boa viagem!


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domingo, 23 de junho de 2013

O que te prende ao passado?

::Sandra Trovo::




Ouço muitas pessoas dizerem que não conquistam um bom emprego, que não tem um parceiro ou uma parceira, que a vida não flui e são tantas queixas que nem preciso tecer mais comentários porque você já tem os seus, certo?

Daí elas vivem justificando que os relacionamentos não fluem atualmente porque lá no passado aconteceu, isso, aquilo e aquilo outro, ou que no emprego anterior o chefe era chato, insuportável, incompreensível e hoje o emprego atual também é chato e resumindo as queixas:

- sempre vai ter alguém ou alguma coisa para implicar e sacramentar o mesmo que viveu lá no passado.

Traduzindo tantas queixas, elas não conseguem desfrutar o presente por causa de algo que aconteceu no passado e você pode me perguntar:

- Como assim?

-Vamos lá compreender como o passado age na sua vida presente.

Muitas vezes alguém é humilhado, seja por um chefe ou por seu parceiro (a) e simplesmente decide naquele exato momento não responder por medo de perder algo. Porém, quando falamos em responder não é soltar alguns daqueles palavrões e sim argumentar ou então esclarecer o porquê e o que está acontecendo. Daí, o inevitável acontece:

-O sapo fica entalado na garganta, não sobre e não desce!. A partir deste momento a mágoa pode ser inevitável e como algo aconteceu no passado quando não tive determinada atitude, essas pessoas carregam a certeza de que acontecerá novamente.

O mesmo pode-se dizer sobre uma pessoa que em algum momento da sua vida teve uma atitude lamentável, fez algo que julgou ruim e não foi lá consertar a situação. Como fez algo que lamenta, está certa de que será uma pessoa má para sempre.

-Vamos aos exemplos clássicos:

-Como um dia alguém lhe fez algo, acusa essa pessoa por sua vida não ser como gostaria.

-Como numa antiga experiência foi maltratada, nunca esquecerá ou perdoará.

-Como não foi convidada para aquela festa dos seus sonhos, então hoje não se permite gozar a vida.

-Como na primeira apresentação em sala de aula se saiu mal quando falava, ficará eternamente apavorada cada vez que tiver que falar em publico.

-Como seu primeiro relacionamento terminou, não estará mais aberta ao amor e só irá atrair relacionamento já falidos.

-Como uma vez ficou magoada com a observação de uma pessoa não confiará mais em ninguém.

-Como era pobre quando criança jamais poderá ser uma pessoa bem-sucedida e quando tiver algum dinheiro terá de gastar para prevalecer sua crença.

O que frequentemente você pode recusar a perceber é que manter-se preso ao passado, não importa qual tenha sido e por mais horrível que tenha sido só magoa a si mesmo.

Você do passado, na verdade não se importa. Geralmente você lá no passado nem tenha consciência do que fez.

Você do presente é que está se machucando pelos atos que julga, porém lembre-se que lá no passado você fez o que sabia, fez como tinha que ser feito e se hoje você julgar qualquer que seja a situação do passado estará sendo cruel consigo mesmo. Portanto, aprenda a viver o hoje e tire o melhor proveito das experiências que viveu.

Lembre-se: o passado é passado e não pode ser mudado. O único instante que pode ser vivido é o de hoje, o seu momento presente. Mesmo quando reclamar sobre o passado, estará somente vivenciando a lembrança que tem dele neste momento e com isso perderá a real oportunidade do momento presente.

Agora, vamos soltar o passado?

-Permita que as lembranças sejam apenas lembranças, desprenda-se do envolvimento emocional ligado a ele.

-Para deixar que as lembranças sejam apenas lembranças, lembre-se de situações do passado em que não existe nenhum envolvimento emocional.

-Faça uma lista das coisas que está disposto a soltar:

-qual a intensidade de sua disposição para soltar o passado?

-você realmente quer se libertar?

-note suas reações, o que você terá que fazer para se libertar desse envolvimento?

-qual seu nível de resistência?

Muitas vezes se desprender de emoções, sentimentos, ressentimentos, e várias outras emoções, pode ser doloroso, mas sempre serão lembranças passadas e jamais voltarão.

Reflita:

Você acredita que deixar de desfrutar o presente por causa de algo que aconteceu no passado é seu destino?

Solte-se - Liberte-se e viva plenamente Hoje.


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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Vamos discutir ou conversar?

:: Bel Cesar ::




Foi dada a partida: uma nova discussão teve seu início com uma sentença acusativa. Quem escuta sente-se agredido e, na maioria das vezes, responde na mesma moeda. Esse infértil debate de "quem está fazendo o que a quem" gera apenas mais indignação e desconforto. Desta forma, o que parece uma conversa, na realidade, é apenas uma descarga emocional, quer dizer, uma sequência de monólogos carregados da frustração de emoções não digeridas.

Uma discussão pode se tornar uma boa conversa. Mas para tanto é preciso cultivar um interesse genuíno em melhorar nossos relacionamentos.

Quem quer só acusar não está interessado em ouvir. Sem escuta não há conversa. Então, para que discutir se não quer chegar a lugar nenhum?

Se a situação já está ruim, uma discussão baseada em acusações pode ainda piorá-la. A base de uma discussão saudável encontra-se na motivação com a qual ela deu início. Queremos discutir para mudar para melhor ou apenas para desabafar nossa indignação? Se a intenção for melhorar, podemos conversar, do contrário, é melhor parar: depois que ambos expuseram suas queixas, é preferível dar um tempo para sentir e refletir sobre o que foi dito.

Quando uma discussão está baseada apenas na indignação, torna-se uma avalanche de reações. Não há tempo para sentir a empatia necessária para gerar um novo entendimento. Não há espaço de escuta quando a prioridade é defender-se. Enquanto o outro fala agressivamente, aquele que escuta só tem tempo para elaborar sua defesa. Como ouvir o outro verdadeiramente se a concentração está voltada para atacá-lo de volta?

Por exemplo, quanto mais tentarmos coagir o outro a mudar, de acordo nosso ponto de vista e necessidades emocionais, mais frieza emocional e distância física desencadearemos entre ele e nós. Pois, ele, intuitivamente, irá se distanciar para poder encontrar clareza em seu posicionamento.

A armadilha da chantagem emocional tem suas consequências: os relacionamentos tornam-se artificiais na medida em que precisam seguir regras impostas por um dos parceiros.

Muitas vezes, exigimos do outro o que não foi acordado previamente. Ironicamente, quanto maior a entrega afetiva, maior são as exigências! Sem nos darmos conta, projetamos idealismos e expectativas exageradas nos relacionamentos à medida em que eles se tornam mais íntimos... Nem sempre ouvimos o que queremos ouvir!

Uma coisa é defender-se do outro, outra é buscar por solução. O caminho está em encontrar uma saída em vez de criar uma constante briga de forças, para ver quem tem mais razão.

Se quisermos discutir com a intenção de solucionar um conflito, teremos que rever nosso posicionamento, seja de dominador, seja de dominado (papel de vítima). Pois, ironicamente, o agressor agride porque se sente agredido e a vítima reage de forma agressora. Quando uma discussão está baseada na intenção de controlar o outro, ambos se sentem sufocados. Para superar um atrito é preciso deixar de lutar. Mas isso não quer dizer se deixar abater.

O que desejamos pode estar certo e ser válido, mas ainda assim, não podemos impor aos outros a nossa demanda. Podemos ter clareza sobre nossas necessidades emocionais, mas ao mesmo tempo, se nos colocarmos de modo exigente, impondo ao outro os cuidados sobre nossa vulnerabilidade, desencadearemos mal-estar e em nada ajudará a situação a mudar.

Revelar ao outro nossa vulnerabilidade é saudável; o que não funciona é transferir ao outro a responsabilidade de zelar por nosso bem-estar. Quando tentamos repassar os cuidados de nossa vulnerabilidade para outro, este gradualmente perde admiração por nós, pois, inevitavelmente, irá se sentir sobrecarregado ao ter que gerir todas nossas frustrações e incapacidades, mesmo que temporariamente.

Se quisermos ter relacionamentos saudáveis teremos que abandonar a atitude de autopiedade. Ficar no papel de vítima é uma armadilha perigosa, pois nos tornamos facilmente reféns da disponibilidade afetiva do dominador. Transferimos a ele as condições que irão nos gerar tanto tensão como alívio. É sempre a velha história baseada na co-dependência, isto é, quando saberemos o que vamos sentir conforme o outro estiver sentindo. Se ele estiver afetivo e de bom humor "estaremos" felizes, caso contrário, teremos que aguardar por sua disponibilidade...

É claro que estar ao lado de uma pessoa mal-humorada gera desconforto. Mas, mesmo assim ainda podemos preservar nosso equilíbrio interno. Nestes momentos, é importante saber gerar um distanciamento saudável. Tal como fazemos ao nos aproximar do fogo: intuitivamente sabemos a distância correta para gerar calor e conforto e quando o seu excesso pode nos queimar!

Toda discussão tem um ponto de partida, mas raramente ele é a causa desencadeadora do conflito. Enquanto não abrirmos o jogo do porquê realmente estamos incomodados, o outro irá se sentir (mesmo que inconscientemente) manipulado. Sem saber o porquê original de toda discussão, ele reagirá contraindo-se, perdendo sua espontaneidade.

Nestes casos, podemos seguir o conselho do psicólogo John Wellwood: "O melhor jeito de terminar com esse tipo de contenda de poder é convidar o parceiro a sair das luzes do palco e vir conosco para os bastidores. Quando duas pessoas permitem uma à outra o acesso ao que se passa nos bastidores, elas começam a elaborar um laço mais profundo e solidário. E é isto que as ajudará a porem fim aos socos entre seus egos". (Alquimia do Amor, Ed. Ediouro). Nestes momentos de abertura é importante não tentar consertar ou melhorar nada. Não é preciso concordar nem discutir. Apenas admitir as dificuldades.

Estranhamente, o mesmo ocorre interiormente: nos momentos de maior tensão emocional costumamos nos distanciar de nós mesmos. Ao invés de sentirmos nossas emoções, costumamos rejeitá-las. Como isso ocorre? Quando nos tornamos reativos às nossas próprias emoções. Ainda que desconfortáveis, podemos olhar nos bastidores de nossa dor emocional. Revelar para nós mesmos o que se passa por trás de nossa indignação. Há um momento em que temos que parar de tentar nos consertar, pois quanto mais implicamos conosco mesmos, mais solidez iremos gerar em nossos conflitos.

É preciso superar o hábito de separar-se de si mesmo. Isto ocorre quando vemos nossa falta interna como uma falha ao invés de reconhecê-la como mais uma etapa de percepção natural do caminho do autoconhecimento. Aqui há uma briga interna entre o que sentimos e não queremos sentir. É preciso deixar de sermos reativos a nós mesmos para superarmos uma angústia emocional.

A emoção não é uma experiência estática. O que parece nos desequilibrar num certo momento, pode ter um efeito menos dramático em outro. A clareza de que podemos perceber uma mesma emoção de formas diferentes nos ajuda a não antecipar nossas avaliações. Quanto mais reagimos aos nossos pensamentos, mais sólido eles se tornam.

A questão é que aprendemos mais o pensar do que o sentir. Nos tornamos inseguros para lidar com nossas próprias emoções porque desenvolvemos um conhecimento intelectual que não é capaz de tocar nossa experiência interna. Por isso, diante de uma discussão nem tudo o que dizemos ou escutamos é capaz de surtir o efeito almejado. Mas não devemos desistir. Pois só interagindo é que aprendemos a arte de nos comunicar.

É saudável aprender a lutar. Se nos tornarmos passivos diante de um ataque agressivo nos tornaremos cada vez mais fracos e vulneráveis à agressão alheia. Assim como o médico Dr. Rüdiger Dhalke nos lembra em seu livro "A agressão como oportunidade" (Ed. Cultrix) sobre o que ocorre com o câncer: "a defesa do corpo não identifica as células cancerígenas como estranhas ou perigosas e por isso as deixa à vontade..." É saudável nos defender!

Para concluir, podemos guardar um alerta dado por Dr. Rüdiger Dhalke: "Onde recusamos a enfrentar um problema, ele nos será ensinado contra a nossa vontade". A coragem em lidar com os confrontos e defender nossos projetos, princípios e valores desperta o instinto de força e vida.


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sexta-feira, 24 de maio de 2013

5 passos para aumentar a Autoestima:




1. Viva para si mesmo, não para o mundo. As pessoas que não sabem amar a si mesmas buscam constantemente a aprovação alheia e sofrem quando são rejeitadas. Para quebrar essa dinâmica, devemos admitir que não podemos satisfazer a todos.

2. Fuja das comparações. Elas são uma importante causa de infelicidade. Muita gente tem qualidades e atributos que você não tem, mas você também possui virtudes que não estão presentes nos outros. Pare de olhar para os lados e trabalhe na construção de seu próprio destino.

3. Não busque a perfeição. Nem nos outros nem em si mesmo, já que a perfeição não existe. O que existe é uma grande margem para melhorar.

4. Perdoe seus erros. Especialmente os do passado, pois já não podem ser contornados nem têm qualquer utilidade. Aprenda com eles, para não repeti-los.

5. Pare de analisar. Em vez de fi car pensando no que deu errado, é muito melhor agir, porque isso permite aperfeiçoar suas qualidades. Movimentar-se é sinal de vida e de evolução.

Trecho de: Percy, Allan. “Nietzsche para estressados.” iBooks.

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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Amar é para poucos, pois requer boa dose de generosidade

::Patricia Gebrim::





"Isso é amar: querer o bem do outro, cuidar e proteger o outro, querer
saber como o outro se sente, sentir alegria em tornar a outra pessoa
mais alegre". Escrever sobre o amor não é coisa fácil.

É uma verdade que todas as pessoas possuem um anseio por serem amadas. Mas sabemos nós de fato amar? E o que é amar, afinal?

É um tal de "eu te amo" para cá, "eu te amo" para lá, mas palavras,
tanto quanto intenções, quando não vêm acompanhadas de atitudes, podem morrer na praia, junto ao tão desejado amor.

O amor verdadeiro não sobrevive de "marketing", precisa se tornar real
na vida, nas ações, em gestos e atitudes muitas vezes menos glamurosas
do que caixas de bombons e flores exóticas. Amor verdadeiro requer
consistência, presença, consciência; qualidades raras nos dias de hoje.

É relativamente fácil se fazer uma declaração apaixonada regada a um
bom espumante numa noite romântica, à luz de velas. Difícil mesmo é ser
capaz de, dia após dia, permanecer ao lado da pessoa amada quando essa
passa por um momento difícil. Difícil é chegar exausto de um dia de
trabalho e ainda ter a capacidade de ouvir nosso parceiro com atenção,
brincar com nossos filhos e passear com nosso bichinho de estimação.

Estamos tão acostumados a mimar nosso próprio Eu que aos poucos fomos nos tornando incapazes de amar, de olhar para o outro, de sair do redor de nosso próprio umbigo para fazer algo que faça com que outra pessoa se sinta bem.

Isso é amar: querer o bem do outro, cuidar e proteger o outro, querer
saber como o outro se sente, sentir alegria em tornar a outra pessoa
mais alegre. Amar não é para todos, há que se ter uma boa dose de
generosidade. O que poucos sabem é que dar de si ao outro, quando esse
dar brota do amor, não apenas alimenta ao outro mas também a quem dá.

Não podemos obrigar ninguém a nos amar. Na verdade, algumas pessoas não conseguirão amar nem que queiram de verdade. É preciso ter atingido
certo nível de consciência para que possamos manifestar essa qualidade,
assim não devemos nos desgastar tentando fazer com que alguém nos ame, entenda bem isso. Isso depende de tantas coisas... E a maior parte
delas está fora de nosso alcance.

Às vezes amamos, mas não nos sentimos amados, e na verdade não estamos mesmo sendo amados na mesma intensidade de amor (cada um ama o quanto pode, de acordo com seu nivel de consciência). Nesse caso, o melhor é avaliar o tamanho da diferença. Duas pessoas com níveis muito
diferentes de consciência não conseguirão estabelecer um relacionamento
que seja satisfatório para ambas. A pessoa capaz de dar mais de si
acabará sendo prejudicada. É difícil viver uma intensidade inferior de
amor quando estamos prontos para mais. Seria como termos em mãos uma
Ferrari e não podermos acelerar acima dos 50 kms por hora. Gera
frustração, por mais amor que se tenha.

Assim, dependendo do quanto nos sintamos frustrados, partindo-se do
pressuposto de que muitas vezes o outro não será mesmo capaz de ir
adiante, cabe a cada um de nós assumirmos a responsabilidade por nós
mesmos e percebermos até onde podemos seguir com o outro sem prejudicar nossa felicidade. Algumas relações não são saudáveis para ambas as pessoas, e quando for assim, mais do que ficar lá cobrando e exigindo que o outro seja quem não possa ser, talvez caiba a nós exercitarmos o amor nos desapegando daquela pessoa, permitindo que siga seu caminho na faixa de consciência em que está, e nos permitindo seguir adiante, procurando alguém que possa trocar conosco em um nível mais parecido com o que podemos expressar.

Isso pouparia muita dor.

A nossa, a dor da frustração do amor não correspondido. E a do outro, a
dor de sentir-se impotente e incapaz de manifestar um amor superior ao
que pode oferecer.

Não é fácil compreender isso, mas muitas vezes a separação pode sim ser
um ato de amor.


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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Confiar sem se machucar?

:: Rosemeire Zago ::




Quase sempre criamos expectativas em nossas relações pessoais, afetivas, familiares. Confiamos, acreditamos, gostamos e muitas vezes nos decepcionamos e nos machucamos. Criamos ilusões diante de quem conhecemos e quando estes têm comportamentos inesperados, o chão de nossa segurança desaparece e nos sentimos ameaçados. Quando isso acontece, muitas vezes custamos a acreditar nos fatos, apesar deles serem reais e estarem à nossa frente. Como defesa para não sentirmos a dor, negamos, fugimos, mas logo a mágoa volta para nos lembrar que fomos enganados, traídos.

Muitas vezes, dependendo do grau do envolvimento, acabamos por confundir a realidade com nossas necessidades e vemos o outro como desejamos que fosse e não como ele se apresenta. Ou seja, com muita facilidade confundimos ideal com real. Claro que outras vezes, o outro faz de tudo para acreditarmos que ele seja como anjo, mas com o tempo percebemos que estava muito distante disso.

Os principais responsáveis por nossas desilusões somos nós mesmos, pois idealizamos a outra pessoa e, ainda que inconscientemente, projetamos nela a responsabilidade de satisfazer nossas necessidades. Assim, perdemos a capacidade de discernir a realidade da necessidade e a própria responsabilidade de suprirmos nossas carências.

Se reparar melhor e voltar um pouco ao passado, talvez perceba que foi enganado, na verdade, por ignorar sua intuição, sua voz interior, que quase sempre diz: não vai dar certo, não confie, não vá adiante. Ignoramos nossos valores como se não fosse correto confiar em nossa própria voz. E aí nos enganamos e nos machucamos.

Isso quer dizer que não devemos acreditar nas pessoas? Devemos acreditar acima de tudo em nós mesmos, e muitas pessoas confiam mais em outras pessoas do que em si próprias e esse não é o melhor caminho. O que devemos evitar é colocar todo nosso referencial de vida e valores no outro, deixar de viver a própria vida e viver a vida do outro. Não podemos perder nosso referencial interno, pois ao mantermos nossas referências, ficará mais difícil alguém nos decepcionar a ponto de nos perdermos de nós mesmos.

Algumas pessoas sofrem demais, porque na verdade, esperam demais, ou ao menos, esperam que o outro tenha respeito e valores semelhantes aos seus, o que nem sempre acontece.
Confiar em alguém nos dias de hoje é algo muito delicado. Se você se considera uma vítima constante de pessoas assim, não será hora de parar um pouco e repensar sobre seus próprios valores e a forma de conduzir a própria vida? Ou ainda, não confiar tanto assim? Você pode sofrer por ter sido enganado, mas sofrerá muito mais por ter se deixado enganar. De nada adiantará ficar revoltado, brigar com o mundo, achar que não se deve mais acreditar no ser humano. Mas talvez seja importante para você acreditar acima de tudo em você mesmo.

Lembre-se que quem engana ao outro, na verdade, está enganando e fugindo de si próprio. Ou seja, quem brinca com os sentimentos de alguém, quem machuca o outro, está desrespeitando antes de tudo a si mesmo, escondendo-se atrás de máscaras por não conseguir suportar seus intensos conflitos internos. Parece que pessoas assim se esquecem que com o tempo as conseqüências podem se inverter, tendo efeito bumerangue: vai e volta. Estão tão atentas como lesar ou prejudicar o outro que nem conseguem perceber o mal que estão causando a si mesmas e nem se dão chance de descobrirem que podem ser muito felizes sem ser preciso machucar alguém.
Em qualquer relacionamento, e independente do tempo que se mantenha, podemos ouvir o que nos dizem, entender o que pensam, ou melhor, dizem pensar, mas dificilmente saberemos o que realmente sentem. Se até nossos próprios sentimentos nos fogem ao controle, imagine o que o outro sente. Amizade, cumplicidade, ética, responsabilidade, comprometimento, respeito, são valores hoje muito difíceis de serem encontrados.

Talvez por isso, seja tão importante valorizarmos aqueles que nos são caros, que mostram coerência entre o que sentem, fazem e falam. E mais importante ainda, é valorizarmos nossa intuição, que muitas vezes nos diz para não seguirmos adiante, mas ignoramos e seguimos em frente e depois nos decepcionamos, não só com o outro, mas também com nós mesmos. Por isso, observe mais, fale menos e tenha a certeza que para alguém ser especial para você e participar da sua vida, deve respeitar ao outro como a si mesmo o que, infelizmente, poucos conseguem.
Por tudo isso, confie acima de tudo em você! E no máximo em uma folha de papel em branco, se quiser desabafar. E lembre-se do escreveu Jean Paul Sartre: Não importa o que fizeram com nós, o que importa é aquilo que fazemos com o que fizeram de nós.


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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Até que ponto a dependência atrapalha?

:: Rosemeire Zago ::





A dependência emocional é um dos aspectos que facilmente identificamos nos outros, mas raramente em nós mesmos. Quando alguém nos conta sobre seu relacionamento afetivo, imediatamente percebemos a dependência de um dos parceiros, ou até mesmo, de ambos. Mas será que somos dependentes e não percebemos?

Nem sempre uma pessoa dependente necessita do outro para tudo. Muitas vezes consegue ter independência financeira, mas é na parte emocional que encontra maior dificuldade em cuidar de si própria. Em geral, uma pessoa dependente tem como características principais pouca confiança em si mesma e baixa auto-estima, e o foco está em ser cuidada e protegida, sempre dependendo da aprovação, reconhecimento e aceitação do outro, por não ter consciência de seu valor pessoal. Acredita que precisa do outro mais do que de si mesma.

O desejo inconsciente de que alguém cuide de nós pode nos sujeitar a várias formas de dependência psíquica. Ser dependente é como pedir, ou muitas vezes, implorar: cuide de mim, pois eu não consigo, em todos os sentidos. Dificilmente uma relação verdadeira e autêntica suporta isso por muito tempo, pois qualquer relação deve ser baseada em trocas equivalentes e supõe pessoas inteiras, e como a pessoa dependente não consegue ter essa percepção de si mesma, acaba por gerar muitos conflitos.

A dependência emocional pode causar muitos conflitos nos relacionamentos. É um sinal de muita carência e, acima de tudo, a necessidade de amor, principalmente o amor por si mesmo. A dependência faz parte do ser humano. A dependência emocional por gerar muito sofrimento e pode levar a outras dependências, como drogas, álcool, tabaco, sexo ou outras formas de compulsão, pois o dependente emocional está sempre em busca de que algo ou alguém preencha seu vazio. A dependência emocional mostra uma pessoa fragilizada, fraca e carente, que pode causar muitos desequilíbrios em qualquer tipo de relacionamento. A dependência emocional é mais evidente na relação afetiva entre casais, mas também podemos encontrá-la entre pais e filhos, ou entre amigos. O assunto é tão sério que uma pessoa dependente pode fazer sacrifícios extraordinários ou tolerar abuso verbal, físico e até sexual, para evitar ser abandonada.

Os pais, avós, professores, têm um papel importante na formação e educação de todos nós; crianças que se sentiram abandonadas, rejeitadas, não amadas, tendem muito mais a dependerem do amor de outra pessoa, e vivem isso como condição de sobrevivência. Pais superprotetores podem criar filhos dependentes quando adultos. Quem nunca precisou fazer nada por si mesmo, encontrando tudo pronto por pais que queriam acima de tudo suprir todas suas necessidades, com certeza encontrarão muita dificuldade em tornar-se independente. Pais que demonstram amor e confiança naquilo que a criança faz, com certeza quando adulta ela será muito mais segura de seu valor e muito menos dependente da aprovação e amor do outro.

Mesmo quando adultos desejamos ser protegidos por alguém, não no sentido material, mas principalmente no sentido de apoio emocional. Muitos acreditam que, a qualquer momento, em qualquer situação extrema, poderão contar com o socorro de alguém mais sábio e mais forte, o eterno salvador, incapaz de impedir seus fracassos. Desejar proteção é muito diferente da dependência doentia, que faz com que a pessoa mantenha uma relação mesmo que seja destrutiva, que a faça sofrer, chorar.

O primeiro passo para diminuir a dependência é ter consciência de seu comportamento, conhecer-se. Para conseguir realizar um processo de autoconhecimento e com isso, ter a percepção de seu valor, muitas vezes é preciso recorrer à psicoterapia com um profissional de sua confiança. Para abandonar a dependência é necessário identificar em que áreas de sua vida ela se faz presente e de que forma está comprometendo e causando conflitos em suas relações. O importante é se questionar sempre, analisando quando a dependência se torna um fato negativo, que cega e impede de crescer interiormente, tornando a existência um vício da presença do outro. Aprove-se mais, ame-se muito mais e dependa especialmente de você!


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