quarta-feira, 31 de março de 2010

A Felicidade

Fernando e eu queremos oferecer o texto de hoje para o pessoal de Guanambi-BA que participaram do nosso grupo de Constelações Familiares e também para o pessoal das empresas que participaram do World Café. Muito obrigado pelo carinho e pela atenção com que nos receberam. Quem quiser ouvir nossa entrevista na Rádio local basta acessar:

http://www.falavc.com.br/index.php?lk=7&id=1377

http://www.falavc.com.br/?lk=7&id=1399



A Felicidade
::Bert Hellinger::
(trecho do livro "Conflito e Paz - uma resposta")

Nada é mais difícil de suportar do que a felicidade. Muitos suportam facilmente a desgraça; não porém, a felicidade. Os infelizes, em sua maioria, sentem-se ligados à própria família por sua própria infelicidade. Sentem-se inocentes e com boa consciência, e isso é um grande consolo em sua desgraça. Inversamente, quem está feliz enquanto pessoas de sua família estão sofrendo, costuma sentir a consciência pesada. Então faz todo o possível para voltar a ser infeliz, e acaba ficando feliz na desgraça.
Assim, quando alguém está feliz ou obteve alguma vantagem, ao mesmo tempo que outros em volta dele estão infelizes ou ficaram em desvantagem, ele se sente culpado em relação a eles. E também se sente culpado em relação ao destino ou a Deus. Quando alguém fica feliz porque se curou de uma doença grave, o que faz ele se for devoto? Oferece a Deus um sacrifício para pagar por sua felicidade. Muita gente acha que sua felicidade será tanto maior quanto mais ele pague por ela. Nunca pude confirmar a verdade dessa crença. Quem paga muito perdeu muito mas dificilmente ganhou algo, exceto sua sensação de inocência.
O que se deve fazer então para conservar a felicidade? Primeiro, é preciso agradecer, pois a felicidade geralmente não é merecida. Ela é uma dádiva. Aceitá-la simplesmente como tal, sem contrapartida, é difícil para nós. Mas é mais fácil aceitá-la quando o fazemos com gratidão.
Para que ousemos conservar a felicidade precisamos fazer algo mais: que os outros compartilhem dela. Quando passamos um pouco de felicidade adiante deixamos também felizes outras pessoas. Assim a felicidade aumenta e pode permanecer. Esse é um de seus segredos.
Quando numa família um filho é deficiente e os outros são sadios, muitas vezes os filhos sadios não se dão o direito de assumir a própria felicidade, sendo o irmão tão doente. Pensam que ele ficará melhor se eles também adoecerem ou ficarem limitados, achando melhor haver dois infelizes do que um só.
Qual seria a solução neste caso? Que os irmãos digam ao irmão deficiente: “você é doente e nós somos sãos. Temos essa vantagem sobre você. Faremos algo de grande com nossa saúde e lhe daremos parte nisso. Quando você precisar, mais tarde, estaremos prontos para ajudá-lo.” Então o irmão deficiente também fica feliz.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Somente o necessário: Excessos costumam ser mais prejudiciais que as faltas

::Carlos Hilsdorf::




Embora as pessoas reclamem com imensa frequência daquilo que não possuem, existe outra questão que merece toda a nossa atenção: aquilo que possuímos em excesso.

Aliás, os excessos costumam ser mais prejudiciais que as faltas, mas demoram mais para serem percebidos. As faltas nós notamos imediatamente, os excessos só quando despertam a nossa consciência.
Comemos em excesso (observe você mesmo), trabalhamos em excesso (anda cansado, não é?), guardamos coisas em excesso (dê uma olhada em suas gavetas), nos importamos em excesso com a opinião dos outros... Há um excesso de preocupações e acúmulo de “gorduras” em diversas áreas de nossas vidas.

Em geral, possuímos mais do que necessitamos para ser feliz, mas continuamos insistindo na desculpa de que não somos felizes porque nos falta alguma coisa. E de fato falta: falta assumirmos um estilo de vida mais franco, sincero e liberto.

Tudo o que temos em excesso demanda tempo e energia para ser administrado. Roupas demais, CDs demais, bagunça demais, lembranças demais (fique com as que valem a pena, pelo aprendizado ou felicidade que trouxeram), compromissos demais, pressa demais.

Todos nos beneficiaremos com a prática de determinado nível de minimalismo (sem excessos, porque isso também pode ser demais). Podemos reinventar nossa maneira de viver para viver com o necessário. Não precisa ser o mínimo necessário, pode haver algumas sobras, mas sem os exageros de costume.

Viver melhor com menos. Isso traz uma sensação de leveza e felicidade tão maravilhosa que todos devemos, ao menos, experimentar. Na melhor das hipóteses, aprendemos e adotamos um novo estilo de vida.

Quem está em processo de mudança, reconhece rápido o quanto acumulou de coisas em excesso, e aprende que pode viver tão bem, ou melhor, com muito menos!

Se vamos acampar, somos felizes apenas com uma mochila...

Liberte-se dos excessos de todo o tipo: excesso de informação (aliás, muita coisa é só ruído, nem mereceria sua atenção); excesso de produtos e serviços (consumismo é uma válvula de escape para não olharmos para nossa própria existência e para o vazio que buscamos inutilmente preencher com compras); excesso de relacionamentos (nem todos valem a pena, não é verdade?). Viva mais com menos, experimente algum nível de minimalismo. Permita-se sentir-se livre dos acúmulos e excessos.

Nada é mais gratificante que a liberdade, a sensação de que você se basta sem precisar de um arsenal de coisas, sons e cores a seu redor. Dedique-se a experimentar essa libertadora sensação. Quem sabe viver com pouco, sempre saberá viver em quaisquer situações, mas aqueles que só sabem viver com muito, nas mínimas provações e ausências sofrem e se desesperam. Esses últimos se confundiram com seus excessos... e na falta deles, não se reconhecem.

Nunca sabemos se viveremos com o que temos, com mais ou menos no dia de amanhã, mas se aprendermos a viver com o que é essencial, viveremos sempre bem.

Todo excesso é energia acumulada em local inapropriado, estagnando o fluxo da vida. Excesso de excessos corresponde à falta de si mesmo. E se o que te falta é você, nada poderá preencher esse vazio...

terça-feira, 16 de março de 2010

Se fosse pra ficar na sombra, eu teria ficado em casa!

:: Rosana Braga ::



Há alguns meses, estive na praia de Ipanema, na linda Rio de Janeiro. Verão intenso, muita gente se divertindo e, sentados na areia, um pouco adiante de mim, três pessoas conversavam animadamente.

Uma delas era um rapaz que, por conta de um detalhe, destoava da grande maioria ao redor: embora fosse por volta do meio dia e o calor estivesse escaldante, ele não estava se protegendo do sol.

A certa altura, aproximou-se o moço que alugava esse tipo de acessório e ofereceu:
- Você quer que eu lhe traga um guarda-sol?!?

E ele, muito à vontade na situação em que estava, respondeu quase que indignadamente:
- Meu caro, se fosse pra ficar na sombra, eu teria ficado em casa!

Num primeiro momento, tanto o tom da voz dele quanto a convicção de sua decisão em permanecer sob o sol soaram quase como uma piada para mim. Mas agora, depois de passado todo esse tempo, comecei a me dar conta de quantos diferentes significados aquela frase foi ganhando.

Passei a, repetidas vezes, não só me lembrar, como também a criar metáforas para a tal assertiva. Ficar na sombra é, na linguagem da psicologia, manter-se na inconsciência; é como aquela parte do iceberg que fica debaixo d’água, invisível aos navios, podendo provocar graves acidentes.

Ficar na sombra também quer dizer não se expor, não enfrentar determinada condição como ela é. E, no caso de lançar mão de um acessório para se proteger ou se esconder, é ainda uma estratégia para não ter de lidar com algo que pode estar incomodando, ainda mais se sua intensidade for grande.

Claro que, no caso real, é indiscutível que uso de protetor solar e do guarda-sol são extremamente indicados e benéficos à saúde; mas meu intuito não é julgar a escolha do rapaz e sim refletir sobre o impacto que a afirmação tão convicta dele me causou. Fez com que eu pensasse quantas vezes a gente prefere ficar mergulhado na sombra a sair de casa e ir à luta, ou dar a cara à tapa como diz o ditado popular.

Quantas vezes preferimos uma falsa segurança - ainda que escura e nebulosa - ao risco, à possibilidade de tentar. E - pior! - quantas vezes saímos de casa e, ao sentirmos o calor do sol, ou seja, a chance de viver plena e intensamente uma oportunidade que a vida nos apresenta, corremos em busca de uma sombra, assustados, inseguros.

Preferimos nos omitir a expressar o que pensamos, o que sentimos, o que queremos. E assim, de sombra em sombra, tentando nos esquivar da condição real, vamos perdendo chances incríveis de realizar um sonho, de ocupar um cargo há tempos desejado, de experimentar um amor, de desbravar o desconhecido e, enfim, de nos transformar numa pessoa melhor...

Talvez esteja aí a resposta para tantas atrocidades sendo cometidas, para tamanho mal-estar que tem rondado o planeta de um modo geral: muita sombra imposta sobre lugares, pessoas e situações onde poderia estar brilhando o sol. Muita escuridão onde poderia estar inundado de luz. Muita inconsciência onde bastaria um pouco mais de coragem, um pouco mais de disponibilidade ou simplesmente o exercício de nossa verdadeira humanidade.

Portanto, a conclusão a que chego quando me lembro daquela intrigante frase do rapaz da praia de Ipanema - Se fosse pra ficar na sombra, eu teria ficado em casa! - é a seguinte: que fechemos nossos guarda-sóis, que paremos de inventar tanta sombra para nos proteger ou nos esconder do que está aí para ser vivido... e que sejamos, deste modo, bem mais audaciosos quando o convite for para a vida, para o bem e para o amor!

terça-feira, 9 de março de 2010

O que os Índios dizem sobre o Silêncio



Não temos medo dele.
Na verdade, para nós ele é mais poderoso do que as palavras.
Nossos ancestrais foram educados nas maneiras do silêncio e eles
nos transmitiram esse conhecimento.
"Observa, escuta, e logo atua", nos diziam.
Esta é a maneira correta de viver.

Observa os animais para ver como cuidam de seus filhotes.
Observa os anciões para ver como se comportam.
Observa o homem branco para ver o que querem.
Sempre observa primeiro, com o coração e a mente quietos,
e então aprenderás.
Quanto tiveres observado o suficiente, então poderás atuar.

Com vocês, brancos, é o contrário.
Vocês aprendem falando.
Dão prêmios às crianças que falam mais na escola.
Em suas festas, todos tratam de falar.
No trabalho estão sempre tendo reuniões nas quais todos interrompem a todos, e todos falam cinco, dez, cem vezes.
E chamam isso de "resolver um problema".
Quando estão numa habitação e há silêncio, ficam nervosos.
Precisam preencher o espaço com sons.
Então, falam compulsivamente, mesmo antes de saber o que vão dizer.

Vocês gostam de discutir.
Nem sequer permitem que o outro termine uma frase.
Sempre interrompem.
Para nós isso é muito desrespeitoso e muito estúpido, inclusive.
Se começas a falar, eu não vou te interromper.
Te escutarei.
Talvez deixe de escutá-lo se não gostar do que estás dizendo.
Mas não vou interromper-te.
Quando terminares, tomarei minha decisão sobre o que disseste,
mas não te direi se não estou de acordo, a menos que seja importante.
Do contrário, simplesmente ficarei calado e me afastarei.
Terás dito o que preciso saber.
Não há mais nada a dizer.
Mas isso não é suficiente para a maioria de vocês.

Deveríamos pensar nas suas palavras como se fossem sementes.
Deveriam plantá-las, e permiti-las crescer em silêncio.
Nossos ancestrais nos ensinaram que a terra está sempre nos falando,
e que devemos ficar em silêncio para escutá-la.
Existem muitas vozes além das nossas.
Muitas vozes.
Só vamos escutá-las em silêncio.

Texto traduzido por Leela, Porto Alegre:
"Neither Wolf nor Dog. On Forgotten Roads with an Indian Elder" - Kent Nerburn

segunda-feira, 8 de março de 2010

Feliz Dia Internacional da Mulher!

Um post especial hoje para todas nós!
Parabéns a todas as Guerreiras do Mundo!



(Para ver o texto em um tamanho maior basta clicar sobre ele)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Fluir

:: Saul Brandalise Jr. ::



Esta palavra, em si, no seu bojo, contém um segredo...
Provavelmente, você, como eu, ficou muito tempo sem perceber que o melhor da vida é deixá-la FLUIR. É óbvio que fluir tem o significado de "caminhar" em estado líquido, porém, o que somos em verdade se nosso corpo físico é composto de 70% de líquido?
Deixemos isso de lado e fiquemos na essência, tentando assimilar que tudo acontece depois que fluímos em pensamentos e atitudes.
Na maioria das vezes, somos adestrados, em vez de sermos educados, a criar obstáculos em tudo que nos rodeia.
Precisamos nos proteger e sempre zelar pela segurança dos que nos rodeiam.
ERRADO!

Para se entender a vida é preciso que ela FLUA... Devemos dar asas à nossa imaginação. Permitir aos que nos cercam que também fluam e assim aprendam com seus erros e com os erros dos outros.
O grande problema é quando não recebemos educação e preparo para sermos nossos heróis em atos e ações, portanto, em aprendizado.
Devemos, sempre, permitirmos-nos sonhar com o próximo segundo, dia, ou próximos anos. Não importa o tempo. Importa o sonho e depois correr atrás dele de forma correta e determinada.
Correta é quando sei superar os meus obstáculos de maneira sábia, respeitando as regras da natureza em todo o meu caminhar.
Respeitar os seres humanos com os quais convivo, porque eles também sonham e invariavelmente desejam o que a gente quer:
SEREM RESPEITADOS.
De forma determinada para que saibamos superar os obstáculos que se apresentam na realização de cada objetivo. Um sonho só se torna objetivo quando tomamos a decisão de ir ao seu encontro.
Assim, a diferença entre um sonho e a realidade consiste apenas no momento em que eu decido FLUIR, caminhar e tomar atitudes.

Estacionar e pensar, meditar, é bom, recomendável em todos os sentidos, para que tenhamos equilíbrio, desde que o ato seguinte seja premiado com a bela decisão de implementar alguma coisa.
Jamais conseguiremos entender a vida se não a permitirmos FLUIR.
Portanto, eu mudei muito quando comecei a entender que eu sou o que construo em minha mente e depois FLUO com as atitudes corretas.
Não seria de todo ruim, portanto, compararmos a palavra FLUIR com o combustível que precisamos usar para sermos sábios. Também não custa lembrar que só é sábio aquele que aplica o seu conhecimento e, portanto, o faz fluir por meio de um ato ou uma palavra.

O que nos impede de Fluir é:
1. Fanatismo religioso.
2. Sermos adestrados e não educados.
3. Medo de seguir em frente.
4. Companhia de pessoas que nada agregam.
5. Tropeços ocorridos e mal-interpretados.
6. Conselhos recebidos (e inadequados).
7. Desconhecimento da importância de uma encarnação.

Você está estacionado ou fluindo com a sua vida?

Cuide-se.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Criando Expectativas

:: Elisabeth Cavalcante ::



Um dos caminhos mais eficazes para a frustração é criar expectativas. É da natureza da mente esperar que algo muito desejado aconteça rapidamente.
E, quando vivemos de modo inconsciente, não conseguimos perceber este jogo que nos leva sempre a esperar pela realização urgente de nossas esperanças e a sentir uma grande decepção quando elas não se concretizam.

Visto que não temos o poder de determinar a vontade e as atitudes alheias, torna-se impossível que possamos ter garantida a realização de todas as nossas expectativas.

Nas relações afetivas é onde este tipo de engano mais acontece, pois sempre projetamos no outro nossos desejos e esperamos ansiosamente que ele os satisfaça plenamente. Quando isto não ocorre, a reação é de revolta, pois nos sentimos traídos por aquele que não preencheu nossas expectativas.

Viver uma vida consciente pressupõe, antes de tudo, aprender a perceber quando estas ilusões começam a se formar em nossa mente e aceitar o fato de que não temos o dom de manipular a realidade para que ela se amolde ao nosso desejo.

A partir daí, tudo começa a fluir num novo ritmo. Passamos a nos relacionar de modo realista, enxergando o outro exatamente como ele é, sem qualquer fantasia ou ilusão.

Além disso, se torna possível aceitar, com tranquilidade, que nem sempre a realidade corresponderá aos nossos anseios, por mais que lutemos para isto.
Então, o bom senso e a sabedoria podem, finalmente, tomar o lugar da angústia, da ansiedade e do desespero.

Este não é um aprendizado fácil, mas é, sem dúvida, essencial para que nos libertemos do sofrimento criado por nossa própria mente, que insiste em nos manter prisioneiros da ilusão. A felicidade só se torna possível quando pudermos perceber o quanto nossas próprias expectativas criam a maioria das frustrações que experimentamos ao longo da vida.

"...Vocês estão todos vivendo em sombras. Vocês pensam, vocês projetam, vocês imaginam, vocês sonham... Vocês vivem em sombras, em suas esperanças. O que vocês têm ganho com suas esperanças? Apenas imaginação vazia que amanhã algo acontecerá, que não aconteceu agora, e vocês sentem-se preenchidos. E nunca acontece. O que acontece amanhã é a morte - e a morte cria medo pela simples razão de que vocês não estão conscientes.

O medo da morte é que tira o futuro de suas mãos. E vocês têm estado vivendo no futuro em sua imaginação, e a morte vem e põe uma parada: não mais amanhã. A existência não tem obrigação de preencher seus desejos e suas esperanças.
As pessoas esperam algo, nunca preenchido. Há sempre frustração ao redor. As pessoas estão vivendo em desespero, e a razão é que o que elas esperam... a existência não tem desejo, não tem razão para ir de acordo com as suas expectativas. Se você quer ser feliz, vá de acordo com a existência, onde quer que ela leve você.

Eis o que significa let-go: você simplesmente joga suas projeções, suas imaginações. E deixa a existência tomar conta de sua vida inteira. Então, não há desespero, porque não há possibilidade de tornar-se frustrado. Não há angústia e não há ansiedade, você está relaxado com a existência. O que quer que aconteça... é bom.

...Toda a existência é mais sábia do que eu, então o que quer que aconteça...
Não permaneça afastado, contra a existência, seja parte e sinta uma certa unidade.

...O significado é que o que quer que aconteça é bom. Você tem que achar a beleza disto e a alegria disto... Somente um homem de let-go não é enganado por nada. Ele toma tudo como vem, feliz e alegremente. E se as coisas mudam, ele permite a mudança sem qualquer obstáculo, sem criar barreira para prevenir a mudança.

...Tudo é como deveria ser. Então, pacificamente estão as montanhas na noite de lua cheia... estão em paz, dançando na lua cheia... Tudo é silêncio e paz. Não há frustração nas montanhas, não há frustração nos rios...

...O homem também pode ser tão feliz como as montanhas e tão pacífico como os rios, se ele olhar para a lua e as cercanias sem qualquer mente. Sem pensar, ele também se tornará parte de toda a cena.

Mas ele permanece sempre preocupado com suas próprias idéias estúpidas. Quando toda a existência está se regojizando, somente o homem está preocupado.
Você já viu uma árvore preocupada? Os animais também nunca estão preocupados. Mesmo na morte, morrem pacificamente. Pois, como tudo na existência, o que nasceu deverá morrer.

Mas a mente do homem perturba, sempre cria problemas - porque espera que as coisas sejam diferentes do que elas são. Ele não está pronto para aceitar a natureza da existência, ele a quer de acordo com ele. Este, "de acordo com ele", é toda a miséria.

Todo mundo está tentando que tudo seja de acordo consigo. Um pode dizer, outro pode não dizer - mas mesmo sem dizê-lo, sua mente está tramando pensamentos de que as coisas deveriam ser trazidas de acordo com a sua idéia - e isto é impossível.

Você não pode mudar a existência. Tudo o que você pode fazer... você pode abandonar sua mente".

OSHO - Rinzai: Master of the Irrational

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Cair Tudo Bem, Mas Que tal Aprender a Levantar?

::Sandra Helena Trovo::





Um belo dia resolvemos que chega de sofrer - deve haver uma maneira mais inteligente de viver - e começamos a procurar respostas, subsídios, que satisfaçam nossas necessidades.

- Os "mortos" podem não estar tão mortos...

Lembra do filme "A volta dos mortos vivos", com suas inúmeras partes? Pois é, podemos ser protagonistas de histórias desagradáveis que se repetem infinitamente, mesmo quando já temos um bom nível de consciência. É que crenças antigas e já identificadas por nós como negativas podem voltar a agir a qualquer momento. Persistentes e rápidas, assemelha-se a ervas daninhas. Enquanto restar uma mínima raiz elas voltarão, com toda a certeza.

- O tombo, em câmera lenta.

Estamos bem. Alegres. Animados. Confiantes! Olhamos para nós mesmos, para a nossa vida, e vemos que já construímos muita coisa boa, já superamos muitas limitações e dificuldades. Enxergamos os obstáculos atuais que temos pela frente e estudamos maneiras de superá-los. Ótimo! Estamos agindo positivamente.

Nos distraímos por um instante, e nem percebemos que aquele "caso" que alguém veio contar nos causou uma impressão ruim. Continuamos o nosso trabalho. Animados!

Começamos a sentir uma saudade danada de alguém de quem gostamos muito, que costumava estar sempre presente, nos incentivando, e que agora se afastou de nós. Chega a doer, mas continuamos as nossas atividades.

Lembramos dos amigos e percebemos que estão sumidos... Cada um por seu motivo, a verdade é que andam ausentes há algum tempo...

E aquela pessoa interessante que conhecemos na semana passada, e que ficou de ligar? Não ligou, "né"?

Ligamos o computador. A conexão está péssima. Quando conseguimos acessar a nossa correspondência, ficamos animados ao verificar que há sete e-mails novos! Mas são todos daquele chato que insiste em entupir nosso correio eletrônico com aquelas mensagens pesadas e impessoais.. . Que lástima!

- O nosso ânimo já era! A conexão cai, e caímos junto...

Você pode estar pensando que motivos assim tão pequenos não poderiam causar grande estrago na nossa alegria de viver, mas esse é um engano nosso.

Quando nos deparamos com situações altamente desagradáveis, graves mesmo, instintivamente paramos tudo e de alguma forma nos recolhemos para que possamos compreender o que está acontecendo. Já com as pequenas coisas fazemos diferente.

Costumamos nem parar pra ver o que é que estamos sentindo, vamos deixando "rolar"... Se não estivermos atentos, essas "coisinhas" agem como infiltrações de negativismo, que arruínam o nosso equilíbrio.

- As tentações...

Voltamos para o trabalho que estávamos fazendo com todo o carinho. Mas, o que aconteceu? Ele já não nos parece mais tão bom... Começamos a pôr um defeito aqui, outro ali... Perdemos a vontade de continuar trabalhando. Não estamos mais animados. Travamos.

Os velhos fantasmas estão de volta. Sabemos que o único modo de nos livrarmos deles é encarando-os com firmeza e expulsando-os sem piedade...

Mas, aí é que está... Sedutores nos tentam, estimulando em nós a nossa auto-piedade, que é um veneno disfarçado em apoio e aconchego.

Se nos deixarmos levar por essa correnteza, logo estaremos pensando que ninguém gosta de nós de verdade, que "os outros" não nos dão a atenção que merecemos, que não temos sorte para encontrar boas pessoas ou não temos qualidades suficientes para atrair bons relacionamentos - enfim, uma miséria só!

Onde isso vai parar é fácil deduzir, não é? No mínimo, acabaremos deprimidos e infelizes, prontinhos para atrair mais coisas desagradáveis.

O que aconteceu, na verdade, é que velhas crenças não totalmente extintas vieram à tona mais uma vez. Crenças em desvalorização, crenças que colocam o poder fora de nós, crenças que submetem o nosso valor à apreciação dos outros, crenças que dizem de uma maneira velada e cruel que não somos bons o bastante para realizarmos bons trabalhos, sermos amados e felizes.

Este "tombo" foi apenas um exemplo. Se observarmos nossa vida, encontraremos muitas outras seqüências de fatos que acabaram da mesma forma. Em algumas vezes é tudo muito rápido, em outras o processo leva dias, mas o ponto em comum é que não percebemos a tempo, não demos atenção ao que estávamos sentindo e deixamos de ouvir aquilo que o nosso coração estava querendo nos dizer.

- É hora de vigiar!

Se já conseguimos experimentar a alegria e o bem-estar administrando a nossa vida conscientemente, talvez um dos maiores desafios que tenhamos agora seja o de conseguirmos manter esse estado agradável em nós por períodos cada vez mais longos.

Os nossos "fantasmas" (ou os fantasmas das nossas crenças) continuarão vindo à tona e isso é ótimo! De que outro modo poderíamos saber que ainda estão ativos e operantes?

O jeito é ficarmos com nossos radares ligados o tempo todo - atentos ao que estamos sentindo, mente e coração conectados, para evitarmos que dentro de nós o veneno se instale, tornando-nos vulneráveis à sedução de antigas tentações que transferem a responsabilidade dos nossos sofrimentos ou das nossas alegrias para o mundo exterior, ao mesmo tempo em que tiram de nós o poder sobre a nossa própria vida.

- No mais, é cair e levantar, sem medo de cair de novo.

Não é assim que as crianças aprendem a andar?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Mudando o padrão

::Elisabeth Cavalcante::





Uma das maiores dificuldades para o ser humano é viver uma vida em total aceitação. Aceitar os acontecimentos quando eles vão contra nossos desejos e expectativas é algo muito difícil.
Entretanto, este é o aprendizado mais essencial, que pode fazer a diferença entre uma vida tranqüila e relaxada e outra, permanentemente dominada pela ansiedade, a frustração e a raiva.

Ninguém fica feliz ao ter a realização de seus desejos contrariada, no entanto, podemos, sim, aprender algo com esta experiência, ainda que seja encarar a realidade de que somos incapazes de ter todas as variáveis da existência sob controle.
O ego detesta ser contrariado e, quando isto acontece, geralmente agimos de modo irracional. O que faz a diferença é passar a perceber quando esta reação acontece e como podemos mudar este padrão de comportamento.

Ao invés da raiva, cultivar a aceitação consiste em não perder muito tempo na energia da revolta. Mas, passar, o mais rápido possível, para outro estágio, no qual nos dedicamos a encontrar uma nova maneira de lidar com o fato, percebendo como podemos tirar proveito desta situação, encontrar saídas e alternativas que nos tragam outros aprendizados.

Quanto mais treinarmos e aperfeiçoarmos esta habilidade, aos poucos perceberemos que a aceitação se torna uma reação natural e espontânea, que já não exigirá qualquer esforço de nossa parte.
Ao contrário do que muitos imaginam, aceitar não se resume a uma postura passiva e conformada diante da vida, ao contrário, é uma demonstração de inteligência, pois consiste em agir em harmonia com o ritmo da natureza, em vez de desperdiçar tempo tentando alterá-lo ou indo na direção oposta.

Obviamente, este é um aprendizado que não surge da noite para o dia. Exige um estado de atenção permanente ao nosso próprio interior, nossa mente e nossas emoções. Mas, ao exercitar esta mudança, somos surpreendidos pela rapidez com que a nova atitude se consolida, uma vez que nos dediquemos a desenvolvê-la com sinceridade e confiança.

Quem quiser receber o texto do Osho sobre esse tema peça-me por email, terei o maior prazer em enviá-lo : fermayoral@gmail.com

sábado, 30 de janeiro de 2010

Então, o que você planta?

::Philip Chard::



"Não somos ricos pelo que temos, mas sim pelo que não precisamos ter." (Emmanuel Kant)

Sandy mora em um apartamento tão pequeno que, quando chega do supermercado, tem que decidir o que pôr para fora a fim de abrir lugar para suas compras. Ela luta dia a dia para alimentar e vestir a si mesma e a sua filha de quatro anos com o dinheiro de trabalhos literários autônomos e de bicos.

Seu ex-marido desapareceu há muito por alguma auto-estrada desconhecida, provavelmente para nunca mais reaparecer. Dia sim, dia não, seu carro decide que precisa de uma folga e recusa-se a andar. Isto significa ir de bicicleta (se o tempo permitir), andar ou pegar uma carona com amigos.

As coisas que a maioria dos norte-americanos considera essenciais para a sobrevivência - televisão, forno de microondas, aparelho de som e tênis caros - estão lá embaixo na lista de "talvez algum dia" de Sandy.

Comida nutritiva, roupas quentes, um apartamento acolhedor, os pagamentos do empréstimo estudantil, livros para sua filha, consultas médicas absolutamente necessárias e uma ocasional matinê de cinema consomem todo o dinheiro que há.

Sandy bateu em mais portas do que pode se lembrar, tentando conseguir um emprego decente, mas sempre existe algo que não se encaixa perfeitamente - experiência insuficiente ou do tipo errado, ou horários que tornam impossível tomar conta de uma criança.

A história de Sandy não é incomum. Muitos pais e mães solteiras e pessoas idosas lutam com nossa estrutura econômica, caindo naquele espaço ambíguo que existe entre ser realmente auto-suficiente e ser suficientemente pobre para receber ajuda do governo.

O que torna Sandy incomum é seu ponto de vista.

- Não possuo muito, no sentido de ter coisas ou do sonho americano - contou-me com um sorriso sincero. - Isso a incomoda? - perguntei.

- Às vezes. Quando vejo outra menina com uma idade próxima à da minha filha que tem roupas bonitas e brinquedos bons, ou que está andando num carro chique ou morando numa bela casa, me sinto mal. Todo mundo quer ser bem sucedido para seus filhos - respondeu.

- Mas você não se amargura?

- Ficar amargurada com o quê? Não estamos passando fome ou frio e tenho o que realmente importa na vida - replicou.

- E o que é isso? - indaguei.

- Do meu ponto de vista, não importa quantas coisas você compre, não interessa quanto dinheiro ganhe, você só fica com três coisas na vida - falou.

- O que você quer dizer com "fica"?

- Quero dizer que ninguém pode tomar isso de você. - E que três coisas são essas? - perguntei.

- Primeiro, as suas experiências. Segundo, seus amigos verdadeiros. Terceiro, aquilo que você planta dentro de si mesmo - ela respondeu sem hesitar.

Para Sandy, as "experiências" não estão em grandes acontecimentos. São momentos considerados comuns com sua filha, passeios no bosque, tirar um cochilo debaixo da sombra de uma árvore, ouvir música, tomar um banho de banheira ou assar pão.

Sua definição de amigos é mais extensa.

- Os amigos verdadeiros são aqueles que nunca saem do coração, mesmo que saiam da sua vida durante algum tempo. Quanto ao que plantamos dentro de nós, Sandy disse:

- Isso cabe a cada um de nós, não é? Não planto amargura nem arrependimento. Poderia, se quisesse, mas prefiro não fazê-lo. - Então, o que é que você planta? - perguntei.

Sandy olhou carinhosamente para a filha e então novamente para mim. Apontou para seus próprios olhos, que estavam iluminados de ternura, gratidão e um brilho de felicidade.

- Eu planto isso.

(Philip Chard - Entregue por Laurie Waldron) - Do Livro Histórias para Aquecer o Coração

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Você é um pedinte?

Trecho retirado do Livro "O poder do Agora" de Eckhart Tolle

Há mais de trinta anos que um pedinte se sentava na beira de uma estrada. Um dia, passou por ali um estranho. "Dá-me uma moedinha?" pedinchou o pobre, estendendo automaticamente o seu velho boné de basebol. "Não tenho nada para te dar", disse-lhe o estranho. Depois perguntou: "o que é isso em que estás sentado?" "nada", respondeu o pedinte. "Apenas uma caixa velha. Sento-me nela desde que me lembro." "Algum dia viste o que tem dentro?" Tornou o estranho. "Não", respondeu o pobre. "De que me serviria? Não há nada lá dentro." "Vê o que tem dentro", insistiu o estranho. O pedinte conseguiu forçar a tampa. Com surpresa, incredulidade e exaltação, verificou que a caixa estava cheia de ouro.
Eu sou aquele estranho que não tem nada para lhe dar, mas que lhe diz para olhar para dentro. Não para dentro de uma caixa qualquer, como na parábola, mas para dentro de uma coisa ainda mais próxima: para dentro de si próprio.
"Mas eu não sou um pedinte", dirá você.
Todos aqueles que não encontraram a sua verdadeira riqueza, que é a radiosa alegria do Ser e a paz profunda e inabalável que a acompanha, são pedintes, por maior que seja a fortuna material que possuam. Esses, para terem valor, segurança ou amor, procuram fora de si vislumbres de prazer ou de realização pessoal, enquanto que dentro de si próprios possuem um tesouro que não só inclui todas aquelas coisas, mas é também infinitamente maior do que tudo o que o mundo tem para lhes oferecer.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Há um caminho por trás de cada porta


::Carlos Hilsdorf::

"Uma grande quantidade de portas se abre girando a maçaneta para a direita. Estou diante de uma porta. Giro a maçaneta para a direita e a porta não abre... Bom... Que tal tentar girar para a esquerda? Sim, posso abrir essa porta, basta compreender como está fechada, ao invés de ficar repetindo as maneiras como abri as portas anteriores". As portas não se abrem sempre da mesma maneira. Os mesmos caminhos que nos levam ao êxito podem também ocasionar o fracasso. A substância que cura também pode matar. Tudo é uma questão da dose, do momento, da aplicação...

Veja o caso da repetição: repetir é uma das condições necessárias à aprendizagem. Dizemos que alguém aprendeu determinada função, ação ou conhecimento, quando é capaz de repetir em situações idênticas ou semelhantes, a mesma sequência, raciocínio ou processo. Porém, nossa capacidade de repetir nos conduz inúmeras vezes ao engano.
Aprendemos como abrir uma porta, generalizamos este processo e começamos a abrir todas as portas fechadas que encontrarmos... Até que um dia encontramos uma porta que, em várias tentativas, simplesmente, não abre... Fomos enganados pelo hábito da repetição. Simplesmente, a maçaneta está ao contrário, ou o sentido da chave está invertido. O fato é que ficamos algum tempo paralisados, pensando porque a porta não abre se fizemos tudo direito? Quando “congelamos” no processo de repetição, ocorreu apenas uma fase do processo de aprendizagem, mas não a mais importante delas: aquela que dá origem, conhecimento. O conhecimento nos permitirá utilizar respostas diferentes diante de novos desafios.

É extremamente simples! Na vida, as portas não se abrem sempre da mesma maneira. Com base neste raciocínio, pare e reflita: quais são as portas que não se abrem na sua vida?

• Você está preso à solidão? Abra a porta para estabelecer relacionamentos.

• Está preso no quarto escuro da mágoa? Abra as portas do perdão.

• Se encontra confinado aos acontecimentos passados? Abra a porta do presente.

• Sente-se aprisionado pelo seu potencial atual? Abra as portas do aprendizado de coisas novas.

Sim, eu sei, você vai me dizer que já tentou fazer isso várias vezes, mas as portas não se abriram, parecem estar emperradas... Mas, espere um pouco... Será que você girou a maçaneta para o lado certo? O fato das coisas não darem certo em noventa e nove tentativas, não significa que não darão certo na centésima, especialmente se você tentar de uma forma diferente. Não viva aprisionado às generalizações. Você não é uma estatística, é um ser de potencial ilimitado. Não se esqueça também que você pode mudar de porta... As portas que não se abrem servem para duas coisas básicas em nossas vidas:

1) Testar nossa perseverança, garra e inteligência em abri-las;
2) Fazer-nos perceber que nosso caminho não passaria por aquela porta, que estávamos diante da porta errada.

Só os mais experientes e mais sábios descobrem rapidamente a diferença. A maioria das pessoas se engana: insiste na porta errada e desiste da porta certa. Preste atenção nisso!

A vida é um labirinto de portas. Para cada uma que você abrir, outra surgirá, e o que está por trás de cada uma delas, jamais será a mesma coisa. Nem você será o mesmo, dependendo das portas que escolher... Entre todas essas portas, existe uma fundamental: aquela que só abre por dentro e dá acesso ao seu coração. É por essa porta que entram a Luz de Deus, o seu verdadeiro amor, os amigos. E é por ela que você sai do passado, abandona suas mágoas, frustrações e limitações e parte na direção de novas possibilidades e oportunidades.

Essa porta que só abre por dentro também parece não abrir em determinadas situações: inverta o sentido da maçaneta! Porque, na vida, é perdoando que se é perdoado, é amando que se é amado, é dando que se recebe. Abra as portas do coração e da alma e, em seguida, vá abrindo todas as portas significativas que a vida colocar à sua frente, menos aquelas que sua própria alma e coração disserem não ser para você!
Não se preocupe em saber a diferença agora. O tempo, a experiência e, sobretudo, um coração humilde lhe ensinarão a reconhecer a diferença. Há uma porta esperando para ser aberta neste exato momento, só depende de você!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O que trazemos e o que levamos...

::Osho::

Você vem ao mundo sem coisa alguma.

Assim, uma coisa é certa: nada lhe pertence.

Você vem absolutamente despido, porém com ilusões. É por isso que toda criança nasce com as mãos fechadas, cerradas, acreditando que está trazendo tesouros - e aqueles punhos estão vazios.

E todos morrem com as mãos abertas. Tente morrer com as mãos cerradas - até o momento ninguém conseguiu. Ou tente nascer com as mãos abertas - ninguém conseguiu também.

A criança nasce com as mãos fechadas, com a ilusão de que está trazendo tesouros ao mundo, mas não há nada nas mãos.

Nada lhe pertence, então você está preocupado com qual insegurança? Nada pode ser roubado, nada pode ser tirado de você.

Tudo o que você está usando pertence ao mundo. E um dia você terá que deixar tudo aqui. Você não será capaz de levar coisa alguma com você.


Será que estou no caminho certo?

As indicações de que você está no caminho certo são muito simples:

a) Suas tensões começam a desaparecer.

b) Você fica mais e mais senhor de si. Mais e mais calmo.

c) Encontrará beleza em coisas que jamais concebeu pudessem ser belas.

d) As menores coisas começarão a ter imenso significado.

e) O mundo inteiro se tornará mais e mais misterioso a cada dia.

f) Você se tornará menos e menos culto e mais e mais inocente - como uma criança correndo atrás de borboletas, ou pegando conchas do mar numa praia.

g) Você sentirá a vida não como um problema, mas como uma dádiva, uma benção, uma graça.

Essas indicações crescerão continuamente se você estiver na pista certa. Se estiver na pista errada, acontecerá exatamente o oposto.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Tolerância

::Autor desconhecido::


Tolerância é continuar mesmo quando você é jogado contra uma parece dura. Um quadrado não consegue pular porque é feito de linhas retas, mas uma bola consegue porque é redonda e geralmente leve. Seja qual for o seu tamanho, ela pulará de volta.
Trabalhar em linhas retas significa perder as implicações das coisas, ser limitado e ditado pelo presente. Essa vida é tudo o que existe. E os cantos do quadrado, as mudanças repentinas de direção, podem machucar as pessoas. Não associamos uma bola com machucar, mas com jogar.
Tolerância vem de percebermos que tudo é um enigma e que todas as coisas funcionam em círculos, o que é incômodo agora, logo mudará. Há um movimento constante na tolerância, uma flexibilidade por gostar de mudanças. Um quadrado encontra a sua posição e isso é tudo.
Alguém tolerante pode se ajustar a qualquer situação, pode introduzir um elemento de diversão ou humor. O humor vem de muitas coisas: de uma necessidade de superar imperfeições ou mágoa, ou desespero, mas o humor da tolerância vem do otimismo.
Como é possível ter tolerância, exercê-la em momentos difíceis? Primeiro, é necessário um pouco de quietude. Pensar, percorrer a jornada interior. Pensar no nascimento, em como as coisas começaram, para onde foram e porque foram e brincar com esse ciclo de eventos como se fosse uma bola. Depois, amar as pessoas, como seres diferentes, com um intrincado de experiências pessoais e internas, seres com talentos singulares muitas vezes encobertos. Olhar nos olhos das pessoas sem medo e perceber a raridade de cada uma delas.
Tolerância é dizer sim ao jogo, aproveitá-lo e aprender, mesmo que ele seja duro.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Virtudes e defeitos

É notável como conseguimos ver, todos os dias, a todos os instantes, os defeitos alheios. Dificilmente encontraremos alguém que não se mostre propenso a apontar erros e absurdos dos outros. Muitos casamentos acabam porque marido e mulher passam a ver tanto os defeitos um do outro, que se esquecem que se uniram porque acreditavam se amar. Amigos de infância, certo dia, se surpreendem a descobrir falhas de caráter um no outro. Desencantados se afastam, perdendo o tesouro precioso da amizade.
Colegas de trabalho culpam o outro por falhas que, em verdade, em muitos casos, é da equipe como um todo. Foi observando esse quadro que alguém escreveu que os homens caminham pela face da Terra em fila indiana, cada um carregando uma sacola na frente e outra atrás. Na sacola da frente, estão colocadas as qualidades positivas, as virtudes de cada um. Na sacola de trás são guardados todos os defeitos, as paixões, as más qualidades do Espírito. Por isso, durante a jornada pela vida, mantemos os olhos fixos nas virtudes que possuímos presas em nosso peito. Ao mesmo tempo, reparamos de forma impiedosa, nas costas do companheiro que está à frente, todos os defeitos que ele possui. Assim nos julgamos melhores que ele, sem perceber que a pessoa andando atrás de nós, está pensando a mesma coisa a nosso respeito.
A imagem é significativa e nos remete à reflexão. Talvez seja muito importante que saiamos da fila indiana e passemos a andar ao lado do outro. E, no relacionamento familiar, profissional, social em geral, que nos coloquemos de frente um para o outro. Aí veremos as virtudes nossas, que devem ser trabalhadas, para crescerem mais e também as virtudes do outro. Com certeza nos surpreenderemos com as descobertas que faremos. Haveremos de encontrar colegas de trabalho que supúnhamos orgulhosos, como profissionais conscientes, dispostos a estender as mãos e laborar em equipe.
Irmãos que acreditávamos extremamente egoístas, com capacidade de ceder o que possuam, a bem dos demais membros da família. Pais e mães que eram tidos como distantes, em verdade estarem ávidos por um diálogo aberto e amigo.
Esposos e esposas que cultivavam amarguras, encontrarem um novo motivo para estarem juntos, redescobrindo os encantos dos dias primeiros do namoro.

* * *

A crítica só é válida quando serve para demonstrar erros graves que possam causar prejuízo para os outros ou quando sirva para auxiliar aquele a quem criticamos.
Portanto, resistir ao impulso de ressaltar as falhas dos outros, exercitando-nos em perceber o que eles tenham de positivo, é a meta que devemos alcançar. Não esqueçamos de que se desejamos que o bem cresça e apareça, devemos divulgá-lo sempre. Falar bem é fazer o bem. Apontar o belo é auxiliar outros a verem a beleza.

Redação do Momento Espírita, com base no texto Sem olhar para trás, de Gilberto Nucci.