quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

2. O relacionamento de casal

::Bert Hellinger::



O relacionamento de casal é o que existe de maior e mais importante. Todos nós viemos de uma relação de casal. Através dela a vida é passada adiante, aliás, é a condição para que a vida seja passada adiante. Por isso, na relação de casal estamos mais profundamente conectados com aquilo que leva o mundo adiante e o dirige. Essa força atua na relação de casal de forma especial. Nela estamos conectados com essa força.

O que mantém a relação a dois coesa é, em primeiro lugar, a consumação sexual do amor. Ela nos conecta profundamente com essa força, por isso também é algo espiritual. Podemos dizer que é algo espiritual e religioso.

Alguns desvalorizam a consumação sexual, considerando-a um instinto ou algo que se opõe ao espírito. Trata-se, porém, do contrário. O espírito frequentemente se opõe ao que há de mais profundo. Nesse sentido trabalhamos com o maior respeito pela relação de casal e por aquilo que a mantém coesa.

A relação de casal é o que mais nos molda. Somos educados através dela. Nela renunciamos passo a passo a nossas ilusões e, exatamente por isso, estamos ligados a algo maior.

Como se alcança essa ligação? Concordando com o mundo como ele é. Concordando com as diferenças como elas são. Despedindo-nos da idéia de uma coisa ser certa e outra pior ou errada. Nós nos desenvolvemos à medida que reconhecemos, no decorrer do tempo, que aquilo que a principio consideramos adverso é diferente sim, porém possui o mesmo valor.

Atenção para a próxima postagem 04/02/2011 - Texto: Homem e Mulher.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

1. O Segundo Olhar

::Bert Hellinger::



Quando um homem encontra a mulher pela qual se sente especialmente atraído, e quando uma mulher encontra esse homem e se sente atraída por ele, também de um modo especial, os dois são atravessados por um sentimento de felicidade até então desconhecido e por um desejo que deles se apossa totalmente. Eles sentem esse sentimento de felicidade e esse desejo como amor. Quando então o homem diz à mulher: “eu amo você”, e também a mulher diz ao homem: “eu amo você” eles se unem e se tornam um casal.

No entanto, será que esse primeiro amor que sentem um pelo outro, que confessam um ao outro é suficientemente forte para uma união duradoura, mesmo, que após um tempo, fique claro que os caminhos distintos, até então percorridos, se unem tão intensamente por um tempo ou, quem sabe, até por um longo tempo – quando deixam de ser apenas um casal e se tornam pais – e mesmo que esses caminhos, mais tarde, apontem para direções distintas? O que o homem e a mulher realmente sabem um do outro nessa exaltação do primeiro amor? O que eles sabem da escuridão que envolve a sua origem, o seu destino e sua designação especial? Quando aquilo que estava velado, até então, vier à luz, o que os ajudará para que o amor persista e sobreviva a essa realidade?

Sentimos que essa primeira confissão “Eu amo você” necessita ser complementada por algo mais. Algo que prepara o casal para esse estado mais abrangente, que o conduz para aquela amplidão e profundidade que o faz crescer para além desse primeiro amor. Uma frase que engloba esta dimensão maior e que os prepara para ela, seria: “Eu amo você e aquilo que guia a mim e a você.” O que sucede quando o homem diz à mulher e a mulher diz ao homem esta frase? De repente não olham apenas para si e para o seu desejo, olham para algo que está além deles. Mesmo que ainda não consigam compreender o que essa frase exige deles ou com o que de especial ela os presenteia, e ainda qual o destino que aguarda a cada um deles, separadamente e juntos – trata-se de uma frase que prepara e possibilita, após o amor à primeira vista, o amor à segunda vista.


Atenção para a próxima postagem 02/02/2011 - Texto: O Relacionamento de Casal.

Abraços e até amanhã!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Um presente para o mês de Fevereiro



Oi Pessoal,

Como vão todos vocês?

Hoje venho com uma ótima novidade para vocês, meus leitores e amigos queridos!

Já faz algum tempo que tenho observado o quanto tenho encontrado com pessoas e pacientes que dizem possuir grandes dificuldades de se relacionar com o parceiro.

E como nada nessa vida acontece por acaso (bem, assim eu acredito! kk) caiu em minhas mãos um livro sobre Constelações Familiares do Bert Hellinger justamente aplicado em... Relacionamento a dois! Não é incrível?!

Estudando o livro (que por sinal é muito técnico para alguém que não esteja em formação ou já seja um Constelador) percebi que entre uma Constelação e outra, Hellinger nos presenteia com alguns textos sobre as ordens que regem o relacionamento entre homem e mulher.

Resolvi, então, copiar esses textos e compartilhá-los com vocês. Bom, é isso mesmo que você está pensando: teremos um "intensivão" sobre todos os aspectos que Hellinger aborda sobre casais.

Começarei as postagens em 01/02/2011 e haverá de 2 a 3 textos por semana aproximadamente, isso durante todo o mês de fevereiro. Dessa forma podemos aproveitar a inspiração que o Valentine´s day oferece aos casais apaixonados para aprender a conviver melhor com nossos amores!

E então, o que vocês acham? Aguardo sugestões e comentários, pois o meu objetivo e o do blog é tratar de assuntos interessantes para vocês, leitores.

Um grande abraço a todos,

Fernanda

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Você sabe manter o foco?

::Patricia Gebrim::



A vida não acontece da mesma forma para todas as pessoas. Para alguns de nós a vida mais parece uma sequência meio maluca de coisas que vão acontecendo aleatoriamente, quase como se a pessoa, dona da vida, não tivesse nada a ver com isso. Já com outras pessoas, a vida parece ganhar um formato mais ordenado, como se fosse um quadro feito de imagens que, antes de serem colocadas na tela, tivessem sido cuidadosamente concebidas na imaginação do artista.

Para que sua vida seja uma obra de arte, é preciso que você reconheça a si mesmo como o artista. Sim, você é o artista! E um artista precisa de foco. Foco e paixão.

Precisa ter o desejo, lá no fundo do seu ser, de transpor para o mundo externo o que pulsa em seu íntimo.

Precisa acreditar-se capaz de criar. Precisa correr o risco de frustrar-se, e ainda assim continuar tentando. Essa persistência é o que estou chamando de foco. Essa capacidade de continuar na direção escolhida, a despeito dos resultados imediatos obtidos.

Eu me lembro de uma vez em que tentei fazer uma escultura em um pedaço de madeira. Fiquei horas cavando aquele tronco que encontrei no meio da mata. Mais horas pintando, acertando... e finalmente... uma linda deusa esculpida, minha obra de arte!

Mostrei à minha amiga, e ela achou que eu tinha esculpido uma múmia! - que decepção! A moça da limpeza me disse que tinha certeza que minha escultura retratava uma bruxa, e o ascensorista afirmou, com convicção, que eu tinha esculpido um porco!
Assim é a vida, muitas vezes.

Você consegue persistir, mesmo quando percebe ainda estar longe de atingir o desejado objetivo? Mesmo ao perceber que a diferença entre você e um escultor é de... anos luz? Consegue manter o foco no que deseja, mesmo quando a vida não lhe dá tapinhas nas costas?

Pense por um momento em quais são as coisas que você realmente deseja atingir. Um trabalho satisfatório? Um relacionamento saudável? Uma casa de campo? Habilidades de mágico?

Seja lá o que for, o que lhe digo é que... sem foco... nada feito! Sem foco você acabará desistindo no meio do caminho, às vezes a um milímetro de finalmente atingir o que desejava. Desistir é abrir mão da vida. Como fazem as crianças que cruzam os braços e dizem que já não querem mais brincar.

São duas as suas opções. Você pode continuar em frente, mesmo errando, mesmo se perdendo de vez em quando, mesmo fracassando vez ou outra. Ou pode desistir.

A sua escolha fará toda a diferença, não apenas nos resultados obtidos, mas na forma como você gastará seu precioso tempo. Uma vida é muito mais significativa e interessante quando tem foco, quando é vivida por alguém que acredita poder criar algo de belo, quando nos sentimos entusiasmados e seguimos com perseverança.

Sabe... Me parece triste desistir. Acho triste quando vejo pessoas que deixaram de acreditar, que pararam de tentar. Cheias de justificativas, ficam lá, largadas no meio do caminho. Acho triste pois, a meu ver, se seguimos em frente, mesmo que não encontremos o que inicialmente procurávamos, com certeza fazemos de nossa vida uma linda aventura, cheia de coisas para contar.

A vida não nos foi dada para ser economizada. Qual é a graça de se ganhar uma vela e nunca acendê-la? De guardar as melhores roupas para uma festa que nunca acontece?

Eu lhes digo o que penso. Se ganhamos de presente esta vida, que sejamos capazes de vive-lê com verdade, até o final!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Tempo dos Resilientes

::Maurício Figueiredo::



Mais do que ser competente, eficiente e eficaz, antever os problemas e ser proativo, hoje o diferencial do profissional é ser resiliente. Veja a razão e aprenda como desenvolver esta característica na vida pessoal e profissional

Quase sempre me pego entre os encantos e devaneios do mundo de hoje, porém, nem sempre chego a uma conclusão. Ainda assim, tenho a convicção da grande dificuldade que o ser humano contemporâneo tem em lidar com suas frustrações.

Como sempre digo, pensar os problemas e as dificuldades tem sido uma tarefa fácil aos pensadores. No entanto, acredito na busca das soluções por meio da resiliência – uma difícil estratégia de equilíbrio.

A resiliência é um termo advindo da física e traz em sua essência a ideia de que uma estrutura elástica tem a capacidade de ser deformada ou esticada, voltando sempre a sua forma original. Para nós psicólogos, esta é a grande habilidade que o ser humano deve ter para administração de situações de conflitos e crises nos dias de hoje.

Alguém resiliente é capaz de passar por grandes momentos de dificuldade, tais como: traumas, situações estressantes, conflitos e crises dos mais diferentes tipos. O resiliente consegue sair destas situações positivamente transformado, como se tivesse atravessado o “inferno” e retornado de lá melhor estruturado.

É impressionante a quantidade de situações frustrantes e de conflitos que conseguimos administrar. Ser competente, eficiente e eficaz, antever os problemas e ser proativo são apenas algumas das características que, atualmente, são fundamentais para que sejamos bons profissionais. Mas, o que realmente tem sido um diferencial é a capacidade de resiliência que uma pessoa pode ter.

Mas talvez a complexidade em ser resiliente esteja nos elementos que a estruturam, muito mais do que na ação em si. Uma das principais características do resiliente é quanto a sua auto-estima, a qual não privilegia suas capacidades, mas a compreensão de suas limitações, fazendo com que exista um equilíbrio das forças, aliado a satisfação de suas próprias cobranças pessoais.

O desequilíbrio entre auto-estima e cobrança pessoal pode ser o grande desencadeador de conflitos, ou em alguns casos, até de patologias do psiquismo. Possivelmente a melhor estratégia para alcançar este equilíbrio seja a busca pela flexibilidade, não frente aos comportamentos do outro, mas sim a sua própria forma de agir no mundo.

Compreendendo isto como um fato, o passo seguinte é estabelecer relações humanas mais favoráveis, onde o dar e receber se torne natural e não apenas uma obrigação social ou mesmo uma estratégia formalizada. Ao entendermos que lidamos com pessoas e não com processos ou procedimentos, internalizamos outras possibilidades, as quais nos dão acesso a uma maior gama de ações na solução dos conflitos.

Buscar um pensamento independente é a próxima instância após percebermos a ampliação do universo no qual estamos inseridos. Ao pensarmos em um contexto profissional, a quantidade de variáveis que surgirão ao adequarmos nossas relações humanas nos criará novos papéis e possibilidades, que se não nos permitirmos pensar, toda ação irá por terra. Confira abaixo algumas dicas para se manter resiliente:

Mantenha a mente aberta.
Não se esqueça de manter o bom humor, pois este ingrediente é o diferencial dos vencedores. Quem alimenta o ódio e o rancor, além de não alcançar seus objetivos, corre o risco de adoecer precocemente.

Busque perceber o tempo todo seus próprios sentimentos, pois desta maneira não será pego de surpresa por momentos incontroláveis. Aproveite e esteja atendo aos sentimentos das pessoas a sua volta, pois esta poderá ser sua “arma secreta” para evitar conflitos.

Mantenha-se sempre compromissado com a vida, vivendo plenamente seus planos e objetivos, podendo ressignificá-los a qualquer tempo, ou seja, refazer seus projetos.

Por fim acredito em três princípios básicos para a vida, os quais também servem aos resilientes:

Priorize-se – você em 1º lugar pode fazer bem ao mundo todo!

Recomece sempre – você sempre pode reescrever a sua própria história.

Nunca desista – sempre há uma saída.




Pessoas resilientes: são aquelas capazes de suportarem crises e transformá-las em oportunidades. O conceito de resiliência “é a propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora da deformação elástica”.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ano novo, a mesma vida!

::Autor Desconhecido::



O início do ano é uma época propícia para as resoluções. Elas trazem uma nova forma de ver o que estamos fazendo e o que podemos fazer para que sejamos mais felizes. Costumamos mergulhar nas nossas rotinas e os problemas cotidianos não permitem que olhemos além da superfície de nossas vidas.

Um ditado antigo diz "Ano novo, vida nova". A rigor, a sua vida muda a cada minuto, mas os fatos que a preenchem seguem um sentido se os observarmos no contexto da sua própria história. É preciso olhar para trás e para dentro de si antes de dar um passo mais ousado para a frente.

Agir em concordância com o sentido da própria vida lhe proporcionará segurança em seus passos. E esta segurança pode ser percebida como uma sensação de realização, de dever cumprido. Vivemos sob pressões e demandas que surgem de todos os lados, do trabalho, da família, dos amigos. Ter consciência de que você está agindo conforme o seu destino, que se manifesta pelo sentido da sua biografia, lhe fará mais consciente, em cada situação, de quais ações podem ser coerentes com o sentido da sua história - e quais destoam completamente.

No fim das contas, como em tudo na sua vida, a decisão só cabe a você tomar. Contudo, quando você age de acordo com o sentido de sua história, é como um trem que anda no trilho, seguindo um fluxo natural, sem dor ou arrependimentos, progredindo no seu ritmo. Fora do sentido, esbarramos na depressão e na angústia.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Feliz Natal e um próspero ano novo!

::Autor Desconhecido::



Como é gostoso imaginar coisas boas,alegres, gostosas e divertidas.

Pensar em coisas que nunca pensamos.

Enxergar um lugar que sempre imaginamos.

Histórias que fazem a gente sonhar.

Sonhar com um lugar que pode existir em alguma parte do universo.

Um espaço onde cada um tenha o seu próprio espaço,um planeta onde todo mundo seja amigo de todo mundo,um continente onde as pessoas se respeitem mais,países que falem a mesma língua,cidades que nunca passaram por acidentes,endereços onde todas as casas tenham teto,casas que tenham pelo menos uma criança,que abriguem corpos com células que não fiquem doentes,com prateleiras cheias de comida,receitas e dicionários que não tenham a palavra violência.

E uma porção de livros que não tenham preço e que façam as pessoas sonhar cada vez mais.

Se essas histórias podem existir na nossa imaginação é porque elas fazem algum sentido.

Se tem gente que acredita em Papai Noel é porque ele continua, de alguma forma,
aparecendo na vida das pessoas.

Quem sabe se todos acreditarmos num mundo melhor, ele comece a aparecer ao nosso lado.

Vamos todos começar a fazer isso!

Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

"Família é prato difícil de preparar"

(de "O Arroz de Palma,de Francisco Azevedo)



Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.
E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.

Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.
Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.
O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Meuni; Família ao Molho Pardo, em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é a Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.
Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Uma Coisa de Cada Vez: Uma Experiência com a Consciência

::Stephen Levine::



Uma forma incrível de integrar a prática de meditação e da percepção em nossas vidas diárias é fazer uma coisa de cada vez. Entregar-se de forma integral ao que estiver fazendo no momento. Concentrando-se em um única tarefa. Quando estiver dirigindo, não escutar o rádio. Quando estiver escutando música, não ler ou comer. Ao comer, não assistir à televisão nem ler. Ao assistir televisão, não comer ou ler. Quando estiver andando, sentir o solo sob os pés. Ao comer sinta aquilo o que come e entre por inteiro em contato com as sensações e motivação que condicionam e dirigem o processo. Estar atento ao comer da mesma forma como se fica atento ao andar ou respirar. Respirar uma inspiração de cada vez, dar um passo de cada vez, uma mordida por vez. Vivenciar de maneira plena "apenas isto", o momento tal como ele é.

Há uma história de dois monges zen que se encontraram à beira de um rio. Eles logo verificaram que eram de monastérios vizinhos, e cada um mostra curiosidade quanto à natureza do mestre do outro. Um dos monges diz: "Meu mestre é o maior de todos. Ele pode voar, pode caminhar sobre a água, pode ficar sem respirar por vinte minutos!" O outro balança a cabeça lentamente e sorri, dizendo: "Oh, seu mestre é de fato notável. Mas o meu é ainda mais: quando ele anda, ele apenas anda. Quando ele fala, ele apenas fala. Quando ele come, ele apenas come". Um dos mestre tinha "poderes" mas o outro tinha poder. Os poderes são desejados somente por aquela parte de nosso interior que se sente impotente. Considerando o tamanho respeitável do labirinto do ego, para a maioria, "os poderes" são armadilhas. Extraordinário mesmo é estar presente em nossas vidas, capazes de nos abrirmos para o momento, acumulando compaixão e percepção como preciosidades.

Certa manhã, um amigo nosso, mestre Zen, sentado à mesa do desjejum, lia o jornal enquanto comia. Um de seus discípulo, conhecendo a técnica de uma coisa de cada vez, zombou: "Você está comendo e lendo! Como pode estar atento a uma coisa só?!!". Ao que o esperto e prático mestre retrucou: "Quando eu como e leio eu só como e leio". Vá com calma. Se você tiver crianças em casa, pode ser quase impossível fazer uma coisa de cada vez. Neste caso, faça apenas seis coisas de cada vez. Ou, como disse uma mãe ao verificar que a prática seria bastante difícil para ela: "Minha agenda é uma bagunça. Acho que é dia do ventre".

Fazer uma coisa por vez nos ajuda a recordar. Quando você estiver lavando os pratos, ou dirigindo para o trabalho, trocando a roupa do bebê, cavando uma trincheira, cozinhando, fazendo amor, pensando alguns pensamentos, seja o que for, cuide da tarefa em pauta. Vivencie, a cada instante, o corpo, a respiração, os mutáveis estados mentais. Viva "apenas isto" de cada vez.

Se "apenas isto" não for o bastante, nada será o bastante. Cuidar deste "apenas isto" é viver de maneira plena e feliz.

Meditações Dirigidas, Stephen Levine.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Máscaras

::Gilbert Brenson Lazan::



Cada vez que ponho uma máscara para esconder minha realidade, fingindo ser o que não sou, fingindo não ser o que sou, faço-o para atrair o outro e logo decubro que só atraio a outros mascarados distanciando-se dos outros devido a um estorvo: a máscara.

Faço-o para evitar que os outros vejam minhas debilidades e logo descubro que, ao não verem minha humanidade, os outros não podem me querer pelo que sou, senão pela máscara.

Faço-o para preservar minhas amizades e logo descubro que, quando perco um amigo, por ter sido autêntico, realmente não era meu amigo, e, sim, da máscara.

Faço-o para evitar ofender alguém e ser diplomático e logo descubro que aquilo que mais ofende às pessoas, das quais quero ser mais íntimo, é a máscara.

Faço-o convencido de que é o melhor que posso fazer para ser amado e logo descubro o triste paradoxo: o que mais desejo obter com minhas máscaras é, precisamente, o que não consigo com elas.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Preocupe-se consigo mesmo!

::Osho::



Você diz para cada um de seus sannyasins preocupar-se apenas consigo mesmo. E eles fazem isso!

Sim, eu digo isso: para preocupar-se apenas consigo mesmo, porque no momento essa deve ser a única preocupação. Se você começar a se preocupar com o mundo todo, você não será capaz de fazer nada.

Até mesmo preocupar-se consigo mesmo já é muito. Livrar-se dessas preocupações já é muito, é difícil. E se você estiver se preocupando com o mundo todo, então não haverá como sair disso. Então, você pode estar certo de que permanecerá sempre preocupado.

E não pense nem por um único momento que você está ajudando o mundo por preocupar-se com ele. Você não está ajudando o mundo preocupando-se com ele, porque a preocupação não pode ajudar ninguém. Ela é uma força destrutiva.

Assim, primeiro, reduza suas preocupações ao mínimo. Quer dizer, confine suas preocupações a si mesmo; já é o suficiente. Seja absolutamente egoísta. Sim, é isso que estou dizendo: seja absolutamente egoísta, se você quiser ajudar os outros algum dia. Se você, algum dia, quiser ser realmente altruísta, seja egoísta.

Primeiro mude o seu ser. Primeiro crie uma luz dentro do seu coração, torne-se luminoso. Então você poderá ajudar os outros. E você poderá ajudar sem se preocupar, pois a preocupação não ajuda ninguém.

Alguém está morrendo e você fica sentado a seu lado, preocupado. Como você vai ajudar? Se o paciente estiver morrendo e o médico ficar preocupado, não vai ajudar em nada. O quanto ele se preocupe não conta. Ele tem que fazer algo.

E quando um paciente está morrendo, é necessário um médico que saiba como não ficar preocupado. Somente então ele será de ajuda, porque somente então seu diagnóstico poderá ser mais claro, mais correto.

Eis porque, se você está doente e seu marido é um médico, ele não será de muita ajuda, porque ele estará muito preocupado com você. Alguém que seja imparcial é necessário.

Uma criança precisa de uma cirurgia. Seu próprio pai pode ser um grande cirurgião, mas ele não pode ter a permissão de operar a criança, porque ele estará demasiadamente preocupado. Suas mãos tremerão – seu próprio filho!

Ele não poderá ser apenas um observador; não poderá ser objetivo, estará demasiadamente envolvido. Ele matará a criança. Algum outro cirurgião é necessário, que possa permanecer imparcial, que possa permanecer distante, separado, afastado, não-preocupado.

Assim, se você quer ajudar a humanidade, primeiro torne-se despreocupado. E para se tornar despreocupado você, primeiro, tem de abandonar as preocupações desnecessárias. Não pense sobre o mundo.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Quando tocamos nossos limites

::Bel César::



Na maior parte do tempo, estamos mais conscientes de como os outros nos tratam do que de como nós mesmos nos tratamos. Isso ocorre porque estamos pouco familiarizados com a possibilidade de sentir nossos próprios sentimentos sem nos sobrecarregarmos com os ditames dos pensamentos rígidos advindos da autocrítica.

Quem não foi bombardeado com frases acusatórias de como deveríamos ser e o que deveríamos fazer para nos tornarmos pessoas mais felizes? Quando nos sentimos encurralados por situações que nos oprimem e revelam que ainda não somos bons o suficiente para lidar com as exigências da vida, estas frases voltam à nossa mente fazendo com que a auto-observação transforme-se numa obrigação, numa ordem. Tal imposição nos leva a uma sensação ainda maior de ineficiência e inadequação. Pois, ao mesmo tempo em que nos propomos a sentir nossos sentimentos (com a esperança de que assim poderíamos achar os defeitos que nos levaram a sofrer), nos desestabilizamos com as expectativas exageradas a respeito de nós mesmos de como deveríamos nos comportar para não sofrer deste jeito.

No entanto, ter consciência de nossos limites não quer dizer reconhecermos que somos seres limitados. Mas, simplesmente que podemos respeitar o estado em que nos encontramos e buscar novos recursos para avançarmos novamente. Muitas vezes, quando tocamos nossos limites, ao mesmo tempo em que sentimos vontade de avançar, sentimos o medo da falta de recursos para fazê-lo. Nestes momentos, tanto recuar como seguir em frente serão atitudes desestabilizantes. Então, é melhor admitir que ambos lados estão presentes e aguardar mais um pouco antes de desistir ou arriscar-se precocemente. Precisamos nos poupar, recuperar nossa força vital e psíquica. Afinal, se não reconhecermos nossos limites inevitavelmente cairemos na exaustão.

Este tempo de cura envolve um processo de relaxamento e entrega, que nos leva a recebermos a força que necessitamos. Enquanto estávamos demasiadamente presos às nossas percepções, não nos dávamos conta do quanto estávamos fechados para receber ajuda. Na expectativa de sermos pessoas eficientes e autônomas, muitas vezes nos cegamos em relação aos outros. Ou seja, não é bom confundirmos responsabilidade pessoal com a presunção de que podemos comandar tudo sozinhos!

Em nossa cultura capitalista, não há espaço para desenvolvermos a gentileza de sermos honestos em reconhecermos nossos reais limites. Devemos sempre fazer mais. Até mesmo quando nos propomos a descansar, lançamo-nos em atividades que nos exigem mais esforço e concentração. Reconhecer nossos limites é cultivar respeito por nós mesmos.

Aliás, quando somos honestos com os nossos próprios limites, estamos sendo honestos também com os outros. Ser verdadeiro consigo mesmo é a base para sermos verdadeiros com os outros.

É simples e claro: não podemos dar mais do que somos capazes em todas as áreas de nossa vida, sejam elas de ordem afetiva, profissional ou financeira. Mas, em geral, evitamos encarar nossas limitações presentes para não sentirmos o risco da exclusão.

Curiosamente, é ao agir enganosamente (como se pudéssemos, quando na realidade não somos capazes), que corremos o risco real de sermos excluídos. Pois, uma vez que nossa incapacidade for revelada, seremos inevitavelmente vistos em nossas falhas. Mas, o medo de ser excluído ainda é maior do que a capacidade de revelar nossas vulnerabilidades.

Então, este é o ponto a ser encarado: a sensação de insuficiência nos remete à ameaça de sermos excluídos!

Aprendemos a ler este risco ainda quando éramos crianças bem pequenas. Sob a pressão de atender as exigências de sermos uma criança perfeita para não decepcionarmos os nossos cuidadores, nos comportamos como se fosse natural dar conta de tudo que nos fosse solicitado.

Quem não reconhece a lembrança de uma comunicação implícita que de uma vez que nossos pais nos davam tudo que necessitássemos deveríamos ser igualmente capazes de responder à altura do que eles almejavam para nós? Desta maneira, a priori, estaríamos nos comportando de acordo com o esforço incomensurável que eles faziam por nós.

Diante desta lei silenciosa de ordem e obediência, não havia espaço para o auto-reconhecimento de nossas falhas e limites. Era feio e inadequado ter limites. Afinal, diante de nossas fraquezas frequentemente escutávamos: "É só querer". Incapazes de responder a tais expectativas exageradas, crescemos com a sensação, quase que despercebida, de que quando oferecermos algo, jamais não será o suficiente. Aliás, o outro, além de pedir por mais, não terá empatia pelo nosso esforço já realizado...

A maioria de nós foi educada com a mensagem de que poderia ser e fazer sempre mais e mais. Por exemplo, quando fazíamos algo bem, ao elogio era adicionado uma expectativa ainda maior: "Muito bem, agora que fez isso, faça aquilo".

Em outras palavras, a energia do reconhecimento não estava unicamente associada ao regozijo, mas também cobrança de algo "mais". Neste sentido, o próprio reconhecimento vinha carregado de uma mensagem de insuficiência!

Diante da insuficiência, sentimo-nos isolados, encapsulados na inadequação. Como romper esta barreira que um dia nos serviu para nos proteger do risco de decepcionar os outros com nossas fragilidades? Como sanar a sensação de dever ser ou dar sempre mais?

Primeiro, podemos reconhecer a ansiedade e a inadequação como sentimentos que nos revelam algo além do desconforto: eles nos alertam que estamos nos pressionando e sendo pressionados.

Segundo, reconheça este aviso como um alerta importante e não duvide de si mesmo. Pois a dúvida nos paralisa instantaneamente. Continue a encarar a inadequação como um aviso de fronteiras. Lembre-se: os outros podem nos tratar mal, mas ainda assim podemos nos tratar bem!

Em seguida, devemos trabalhar o medo da exclusão. Pois, diante da ameaça da exclusão acionamos o mecanismo compulsivo de suprir as exigências alheias. Mas, lembre-se: não reconhecermos nossas fragilidades é um modo de nos excluirmos de nós mesmos!

Ao aceitarmos nossos limites, sejam eles passageiros ou não, tornamo-nos inteiros. Neste sentido, reconhecer nossos limites é tanto uma forma de auto-organização como de harmonizar os relacionamentos com os outros. Pois, quando revelamos nossa condição real, os outros também poderão nos perceber de um modo integrado.

Nesse momento, a ameaça de sermos excluídos não será mais vista como uma única possibilidade. Na medida em que percebemos que o medo da exclusão é regido por nossas projeções mentais negativas, podemos olhar a realidade com novas possibilidades de solução.

Tudo é cíclico. Assim como nosso desenvolvimento interior. Podemos a qualquer momento treinar o auto-reconhecimento se nos alegrarmos com o que já sabemos e quem somos agora mesmo!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Liderando a si mesmo no ápice do estresse

(Retirado do livro: “12 semanas para mudar uma vida” Augusto Cury)



Milhares de judeus eram lúcidos e sensíveis. Eles amavam profundamente a Jesus. Mas havia um grupo de líderes, os fariseus, que o odiavam, tinham aversão pelo seu comportamento afetivo e tolerância. Como Jesus era socialmente admirado, eles precisavam ter um forte álibi para condená-lo sem causar uma revolta social.

Depois de maquinar, prepararam uma armadilha psíquica quase insolúvel. Certa vez, uma mulher foi pega em flagrante adultério. Os fariseus arrastaram-na para um lugar aberto, para o Iocal onde o Mestre dos mestres ensinava uma grande multidão.

Interromperam abruptamente a sua aula. Colocaram a mulher toda esfolada no centro da sua classe ambiental. Sob os olhares espantados dos presentes, eles proclamaram altissonante que ela fora pega em adultério e, segundo a lei, teria de morrer. Sutilmente, olharam para Jesus e fizeram-lhe uma pergunta fatal: "Qual seria o seu veredicto?".

Nunca haviam pedido para Jesus decidir qualquer questão, mas fizeram essa pergunta para incitar a multidão contra ele e para que, assim, ele fosse apedrejado junto com ela. Sabiam que ele discursava sobre a compaixão e o perdão como nenhum poeta jamais discursara. Se ele se colocasse ao lado dela, teriam como justificar a sua morte. Se condenasse a mulher, iria contra si mesmo, contra a fonte do amor sobre a qual discursava. A multidão ficou paralisada.

O que você faria se estivesse sob a mira de um revólver? O que pensaria se estivesse em seus últimos segundos de vida? Ou, então, que atitude tomaria se fosse despedido subitamente? Que reação teria se alguém que você ama muito lhe causasse a maior decepção da sua vida? Que comportamento teria se tudo o que você mais valoriza estivesse por um fio, corresse o risco de ser perdido subitamente?

Freqüentemente reagimos sem qualquer lucidez nos momentos de tensão. Dizemos coisas absurdas, incoerentes, ferimos pessoas e nos ferimos. O medo, o estresse, a raiva, a ansiedade nos impelem a reagir sem pensar. Os instintos controlam nossa inteligência.

O Mestre dos mestres estava sob o fio da navalha. O drama da morte o rondava e, o que era pior, poderia destruir todo seu projeto de vida. Os seus opositores estavam completamente dominados pela raiva. A qualquer momento, as pedras seriam atiradas, as cenas de terror se iniciariam. Foi nesse clima irracional que Jesus foi cobrado para dar uma resposta. Todos estavam impacientes, agitados, esperando suas palavras. Mas a resposta não veio... Ele usou a ferramenta do silêncio. Ele nos deu uma grande lição: revelou que num clima em que ninguém pensa, a melhor resposta é não dar respostas. É procurar a sabedoria do silêncio.

Você usa a ferramenta do silêncio quando é pressionado? Nos primeiros trinta segundos em que estamos estressados cometemos nossos maiores erros. Nunca se esqueça disso. Seus maiores erros não foram cometidos enquanto você navegava nas calmas águas da emoção, mas enquanto atravessava os vales da ansiedade. São nesses momentos que dizemos palavras que nunca deveriam ter sido ditas.

Jesus voltou-se para dentro de si, dominou sua tensão, preservou-se do medo, abriu as janelas da sua memória e resgatou a liderança do "eu". Executou todos esses mecanismos psíquicos sob a aura do silêncio. Foi autor da sua história num momento em que qualquer outro seria vítima.

Pelo fato de ter resgatado a liderança do "eu", teve uma atitude inesperada naquele clima aterrorizante: começou a escrever na areia. Era de se esperar tudo, menos esse comportamento. Seus opositores ficaram perplexos.

Somente alguém que é líder de si mesmo é capaz de ter coordenação muscular e serenidade para escrever num momento em que estão querendo assinar sua sentença de morte. Somente alguém que sabe ter domínio próprio e fazer escolhas é capaz de encontrar um lugar de descanso no centro de uma guerra. Ele era livre para escrever idéias em situações em que só era possível entrar em pânico, gritar, fugir.

Ninguém sabe o que ele escrevia. Mas deviam ser frases de grande conteúdo. Talvez escrevesse algo que demonstrasse a intolerância humana, a facilidade que temos em julgar os outros e a incapacidade que temos de encontrar um tesouro por detrás da cortina dos erros. Talvez escrevesse que o perdão é um atributo dos fortes; a condenação, dos fracos.

Seus gestos desarmaram seus inimigos. O foco de tensão foi pouco a pouco dissipado. Eles começaram a sair da esfera instintiva, do desejo de matar, para a esfera da razão. Desse modo, como um artesão da inteligência, o Mestre dos mestres preparou o terreno da inteligência deles para um golpe fatal. Um golpe que os libertaria do cárcere intelectual. Golpeou-os com uma lucidez impressionante.

Disse-lhes: "Aquele que dentre vós estiver sem pecado (erros, falhas, injustiças) seja o primeiro que lhe atire pedra!". Ele teve uma coragem inusitada ao dizer essa frase. Ela poderia ter sido apedrejada na sua frente repentinamente. Mas Jesus só falou após debelar o foco de tensão emocional deles.

Eles ficaram pasmados. Ele os autorizou a atirar pedra nela, mas mudou a base do julgamento. Teriam de pensar antes de reagir. Teriam de avaliar a história deles para depois julgá-la. Jesus fez uma engenharia intelectual que eles não perceberam, pois envolveu processos inconscientes.

Provavelmente, foi a primeira vez na história que linchadores, sob o controle do ódio, fizeram uma ponte entre o instinto e a razão, saíram da agressividade cega para o oásis da serenidade. A melhor maneira de desarmar um agressor é abrir o leque de sua inteligência é surpreendê-lo, seja com o silêncio, seja com um elogio, seja com uma atitude inusitada.


Portanto, da próxima vez que estiver em situação constrangedora, tente não se obriguar a dar resposta imediata, treine ser amigo do silêncio.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Oração Pessoal



::Oswaldo Begiato::

Que eu tenha a força de ser eu mesma, sempre...
Que eu possa fazer o bem, sem saber o porquê...
Que eu nunca pense que esse alguém irá me retribuir...

Que eu possa ouvir passarinhos cantando...
Que eu possa ver a imensidão azul do céu...
Que eu descubra, brincando, o formato das nuvens...
Que eu possa valorizar a alma da criança que existe em mim.

Que ao me levantar enxergue a luz através do sol...
Que diga com amor o bom dia de cada dia...
Que a minha presença seja sentida como amiga.

Que eu possa me agasalhar no coração do meu amor quando sentir frio...
Que eu esteja ao seu lado nos dias alegres de verão.

Que a grandeza do mar seja a energia que recarrega minha alma...
Que a minha existência faça diferença...
Que minhas palavras sejam amáveis e doces...
Que sejam ouvidas de forma leve, suave, sublime,como anjos cantando.

Que eu possa entender o amor dos que não sabem demonstrar o amor que sentem...
Que eu saiba ser desapegada do amor dos que não sabem amar...
Que eu possa entender que nem todos podem me amar...
Mas que eu ame a todos, sem distinção, com toda a força e luz do amor que existe em mim.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A importância da palavra

::Pedro Luis Alves Costa::




Tudo o que somos é o resultado do que pensamos".

Será que você já parou para se analisar, prestar atenção nos seus mais íntimos pensamentos, parou para se escutar?Na correria do cotidiano, na velocidade da vida, é uma raridade encontrar alguém que tenha essa prática.Preocupações com contas a pagar, problemas no trabalho, o aumento que não vem, a bolsa de valores que oscila.Porém, existe alguém aí dentro que grita, berra, sacode e você nem aí.É muito importante de vez em quando escutá-lo.

O nosso mundo exterior é o reflexo do nosso mundo interior.Se as coisas não vão muito bem, se nada dá certo, perde-se dinheiro, se a saúde não vai muito bem, já está na hora de prestar atenção mais em você, prestar atenção nos seus pensamentos.Quais as crenças que você carrega, que não te deixam evoluir ?Se você identificar os padrões que emperram a sua existência, o trabalho da mudança fica muito mais fácil.Não importa se os padrões de pensamento são antigos, se já criaram raízes dentro de si.O subconsciente tem a capacidade de receber um novo programa e através dele, fazer os ajustes necessários para realizar uma vida mais feliz.

Se você tem o verdadeiro desejo de mudar a sua vida, então mude a frequência dos seus pensamentos.Quando foca no positivo, na luz, nas ideias de prosperidade, você dá mais força para si, afinal semelhante atrai semelhante; quando é emitido um pensamento elevado, ele dá uma volta pelo universo, se agrega com a mesma informação energética e volta para você, mais fortalecido.Não preciso dizer aqui se você pensar no negativo.Ele te derruba.O que você pensa agora, cria sua vida futura.Aquilo que você está focando hoje, é aquilo que está se manifestando nesse momento, na sua existência.

Preste muita atenção no seu sentimento.Ele é um verdadeiro termômetro dos pensamentos.Através da emoção sentida, sabemos como está o nosso pensamento.É humanamente impossível você se sentir péssimo e ao mesmo tempo ter bons pensamentos.A mudança para novos padrões depende de você.

Trabalho, persistência, boa vontade são necessários para operar verdadeiros milagres em nossa vida.Então, foque mais em você, sinta e estude o seu momento.No final de todo o processo, você vai perceber que o empenho valeu a pena.